EUA e UE estão a perder tempo com ameaças tarifárias
O Presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou hoje que a Europa e os Estados Unidos têm coisas mais importantes para fazer do que perder tempo com ameaças de aumentos tarifários.
Na sexta-feira, o Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou que ia aumentar esta semana as tarifas impostas a carros e camiões procedentes da UE para 25%, uma medida que pode prejudicar mais ainda a economia mundial, a tentar recuperar da guerra no Médio Oriente.
"Especialmente no período geopolítico que estamos a viver, aliados como os Estados Unidos e a União Europeia têm coisas muito melhores para fazer do que alimentar ameaças de desestabilização", disse Macron à comunicação social na Arménia.
"Para as nossas empresas, as nossas famílias, as nossas populações, devemos, em vez disso, enviar uma mensagem de estabilidade e confiança", sustentou Macron, acrescentando esperar que "a razão em breve prevaleça".
As autoridades comerciais da UE e dos EUA têm previsto reunir-se durante o dia, em Paris, para discutir o assunto.
A UE "não está a cumprir o nosso Acordo Comercial totalmente acordado", acusou Trump, sem fornecer pormenores.
A ameaça das tarifas surgiu numa altura em que Trump se mostrou irritado com as declarações do chanceler alemão, Friedrich Merz, que afirmou que os EUA foram humilhados pelo Irão nas negociações para pôr fim à guerra.
A Alemanha é um grande fabricante de automóveis, e tarifas mais elevadas vão prejudicar esta indústria.
Desde então, Trump ameaçou também retirar milhares de soldados norte-americanos da Alemanha.
Em julho de 2025, Trump e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, alcançaram um acordo comercial que estabelecia um teto tarifário de 15% para a maioria dos bens, embora o Supremo Tribunal dos EUA tenha invalidado este ano a autoridade legal utilizada por Trump para definir tal imposto.
Hoje questionada, na cimeira UE-Arménia em Erevan, sobre a ameaça de um novo aumento das tarifas, Von der Leyen afirmou: "Um acordo é um acordo, e nós temos um acordo. E a essência desse acordo é prosperidade, regras comuns e fiabilidade".
A Comissão Europeia, o braço executivo da UE, negoceia o comércio em nome dos 27 Estados-membros, e Von der Leyen afirmou: "Estamos preparados para todos os cenários".
Por sua vez, o chefe de Estado francês insistiu em que os acordos devem ser respeitados.
"Se forem novamente contestados, tudo será reaberto", comentou, advertindo de que "a UE tem instrumentos que, nesse caso, teriam de ser acionados".