Ministro remete buscas na sede do PS para "trabalho da investigação criminal"
O ministro da Administração Interna escusou-se hoje a comentar as buscas da Polícia Judiciária (PJ) na sede nacional do PS, em Lisboa, defendendo que cabe à investigação criminal e à justiça tratarem deste tipo de casos.
"É investigação criminal e ação judicial e, portanto, o ministro da Administração Interna não tem qualquer comentário a fazer ao que está a suceder", afirmou Luís Neves à margem da cerimónia de encerramento do 21.º Curso de Formação de Agentes da PSP, na Escola Prática de Polícia, em Torres Novas, distrito de Santarém.
Questionado pelos jornalistas sobre se crimes como os agora investigados exigem mais legislação ou outro tipo de medidas, o governante respondeu que o seu papel é manter "silêncio".
"Exige por parte do ministro da Administração Interna silêncio. É investigação criminal, não tenho a ver com essa investigação criminal", declarou.
O ministro recordou ainda a sua anterior função como diretor da Polícia Judiciária, sublinhando que participou na preparação de documentos estratégicos de combate a este tipo de criminalidade.
"Quando fui diretor da Polícia Judiciária e nos sucessivos documentos que foram preparados para o combate a este tipo de crimes, demos o nosso contributo", disse.
"Não comento nem investigações, nem investigação criminal, nem direito. É o trabalho da investigação criminal e é o trabalho judicial, portanto, não há nada que possa, ou deva, ou deseje dizer", acrescentou.
As declarações surgem depois de o PS ter confirmado hoje que a PJ está a realizar buscas na sede nacional do partido, relacionadas com atividades imputadas a um trabalhador e não ao partido enquanto instituição.
Segundo a PJ, a operação "Imergente", conduzida pela Unidade Nacional de Combate à Corrupção, investiga suspeitas dos crimes de prevaricação e participação económica em negócio, relacionados com adjudicações de contratos por câmaras municipais e juntas de freguesia.
A operação decorre nas zonas de Lisboa, Mafra, Oeiras e Coimbra e envolve cerca de 400 inspetores e peritos da PJ e sete magistrados do Ministério Público.