Dezenas protestam junto ao parlamento em defesa do serviço de emergência médica
Técnicos de emergência pré-hospitalar estão hoje concentrados frente à Assembleia da República para apelar aos deputados que chamem ao parlamento a nova lei orgânica do INEM, que dizem agravar os serviços de emergência prestados à população.
A nova lei orgânica do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) foi aprovada no início do mês em Conselho de Ministros, com alterações "feitas às escondidas dos trabalhadores e dos próprios deputados da Assembleia da República", disse à Lusa o presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH), Rui Lázaro, durante o protesto que está a decorrer em frente à Assembleia da República (AR).
Segundo Rui Lázaro, a reforma dêsenhada pelo ministério da Saúde vai reduzir "a qualidade e quantidade da capacidade de resposta do INEM", já que haverá uma "redução do número de ambulâncias", da capacidade de transporte de doentes e da formação prestada.
Segundo o sindicalista, o novo diploma poderá traduzir-se na substituição de 46 ambulâncias de suporte imediato de vida por viaturas ligeiras e a retirada do terreno de cerca de 50 ambulâncias para transporte inter-hospitalar.
Os trabalhadores defendem que são precisas mais ambulâncias dedicadas à emergência pré-hospitalar e mais formação e qualificação profissional e, por isso, voltaram hoje a sair à rua para mais um protesto.
Depois da vigília realizada na semana passada em frente ao Ministério da Saúde, dezenas de técnicos estão hoje concentrados em frente ao parlamento gritando palavras de ordem para chamar a atenção para a reforma do INEM.
"Queremos convencer os deputados de que a lei aprovada por decreto pelo Governo e as suas alterações devem ser discutidas aqui na AR", explicou o sindicalista, lembrando que bastam dez deputados para requerer a apreciação parlamentar da lei, para que "venha à AR, onde poderá ser modificada e até revogada".
Junto à escadaria da AR estão dezenas de manifestantes a gritar palavras de ordem como "Refundação não é destruição", num dia em que vão também entregar a cada um dos grupos parlamentares de um manifesto, no qual alertam para os riscos da reforma e exigem mudanças no processo de reorganização do INEM.
O líder sindical garantiu à Lusa que as ações reivindicativas só terminarão quando o Governo suspender as medidas em curso e envolver os profissionais na reorganização do INEM, garantindo "mais e melhores cuidados para os cidadãos".