Estudantes protestam após mortes de preso político e da sua mãe
Algumas dezenas de pessoas protestaram hoje na capital venezuelana em memória de uma mulher que morreu no fim de semana, poucos dias depois de saber que o seu filho tinha morrido sob custódia nove meses antes.
Os manifestantes, na sua maioria estudantes universitários, bloquearam brevemente uma autoestrada em Caracas, responsabilizando o Governo venezuelano pelas mortes de Víctor Hugo Quero, cuja detenção foi considerada politicamente motivada, e da sua mãe idosa, Carmen Navas.
"O que isto desperta nos venezuelanos, na juventude venezuelana, é raiva", contou o líder estudantil Miguel Ángel Suárez sobre as mortes.
Navas, de 82 anos, morreu 10 dias depois de a agência prisional da Venezuela ter anunciado, em comunicado, que Quero tinha falecido em julho, depois de ter sido hospitalizado enquanto estava sob custódia.
O Governo reteve a informação mesmo quando Navas exigiu provas de vida ao visitar centros de detenção, tribunais e agências governamentais em busca de informações sobre o paradeiro de Quero, que estava detido desde janeiro de 2025.
O comunicado do Governo referia que Navas, um vendedor de 51 anos, morreu de "insuficiência respiratória aguda após um tromboembolismo pulmonar" 10 dias depois de ter sido levado para o hospital com um problema gastrointestinal.
A mesma fonte explicou que os familiares de Navas não foram notificados da sua morte porque este não forneceu informações de contacto.
O caso gerou imediatamente indignação entre organizações de defesa dos direitos humanos, membros da oposição política venezuelana e familiares de outros presos políticos.
Entre os políticos que expressaram pesar está a líder da oposição Maria Corina Machado, para quem "não morreu apenas uma mãe", mas "uma mulher que transformou a dor em coragem e o desespero em denúncia".
"Durante meses, procurou o seu filho Víctor Hugo; percorreu prisões, tribunais e repartições de um Estado que lhe respondeu com silêncio, humilhação e mentiras. Nunca deixou de exigir a verdade. Nunca desistiu. Nunca deixou de lutar", explicou na rede social X.
Também na X, o opositor Leopoldo López recordou que Carmen Teresa Navas enfrentou silêncios, indiferença e olhares endurecidos pela burocracia e pela desumanização, mantendo-se de pé apenas pela esperança de encontrar justiça.
"Partiu uma mãe marcada pelo sofrimento, pela angústia e pela ferida irreparável que deixou a morte do seu filho sob a custódia do Estado venezuelano (...) esta realidade deveria abalar a consciência de todo um país", sublinhou.
Por outro lado, a Plataforma Unitária Democrática (PUD), que reúne os principais partidos da oposição, convocou os venezuelanos, dentro e fora da Venezuela, para realizarem hoje um minuto de silêncio em memória de "uma mãe que morreu esperando a verdade e justiça".
Segundo a organização não-governamental (ONG) Justiça, Encontro e Perdão (EJP), na Venezuela estão detidas 663 pessoas por motivos políticos, 86 delas mulheres e 577 homens.
Em 14 de maio, segundo a EJP, estavam presos 27 cidadãos estrangeiros,
Desses, a comunidade lusa local indicou que cinco têm nacionalidade portuguesa.