Prisioneiros venezuelanos amotinados denunciam torturas
Centenas de prisioneiros amotinados denunciaram "torturas" sofridas e exigiram a destituição do diretor da prisão de Barinas, no oeste da Venezuela, depois de tomarem o controlo do estabelecimento prisional, constataram jornalistas da agência AFP.
Segundo a agência, após tomar o controlo das instalações prisionais no domingo os presos amotinados reuniram-se no telhado da prisão e penduraram faixas com palavras ou frases de protesto como "SOS" ou "Estão a torturar-nos", entoando gritos com a frase "Chega de tortura, chega de tortura!".
Os detidos incendiaram colchões e lençóis, e grandes colunas de fumo ergueram-se do centro de detenção de Barinas, feudo do ex-presidente Hugo Chávez (1999-2013), a cerca de 500 quilómetros de Caracas.
Polícias munidos de escudos posicionaram-se em redor da prisão, enquanto dezenas de familiares de presos se concentravam junto ao estabelecimento, preocupados com a situação.
A mãe de um preso, Yelitza Arrollo disse à AFP que os guardas "trancaram" e "bateram" no filho, do qual não tem notícias desde 08 de maio, e que os prisioneiros "sofrem, porque são espancados de forma horrível" e "torturados".
"Atiram-lhes água fria, aplicam descargas elétricas, ateiam-lhes fogo, maltratam-nos enormemente. Queremos a destituição do diretor", afirmou Arrollo.
Famílias dos detidos asseguraram que vários prisioneiros estavam feridos, mas as autoridades não emitiram ainda um comunicado oficial sobre o incidente.
A organização não-governamental Observatório Venezuelano de Prisões (OVP) tem vindo a noticiar há dias que as visitas familiares estão a ser impedidas nesta prisão e escreveu nas redes sociais que "1.200 homens e mais de 100 mulheres privados de liberdade no centro de detenção de Barinas declararam-se em greve".
"O Ministério dos Serviços Penitenciários ignora os detidos, que denunciam maus-tratos há mais de uma semana. Não são ouvidos, pelo contrário, são alvo de disparos e de gás lacrimogénio", acrescentou a OVP.
Os problemas nas prisões venezuelanas são recorrentes e várias ONG denunciam regularmente a sobrelotação e violações dos direitos humanos, bem como atrasos processuais, com detidos mantidos meses sem julgamento ou libertações adiadas.
Em abril deste ano, o Governo venezuelano confirmou a morte de cinco pessoas durante uma motim na prisão de alta segurança de Yare III, a 70 quilómetros da capital Caracas.
Em 2023, o presidente deposto Nicolás Maduro ordenou uma operação militar para intervir nas principais prisões do país, controladas durante anos por gangues.
A presidente interina, Delcy Rodríguez, que sucedeu a Maduro após a captura pelo Exército norte-americano em janeiro, prometeu uma reforma judicial.