Reclusos tomam controlo de prisão venezuelana e há relatos de feridos
O Observatório Venezuelano de Prisões (OVP) afirmou hoje que reclusos comuns do Centro de Detenção Judicial de Barinas tomaram o controlo das instalações em protesto contra maus-tratos, e que alguns ficaram feridos devido a disparos contra os detidos. "Os reclusos alegam que estavam a protestar pacificamente quando os agentes prisionais, acompanhados pelo novo diretor, terão alegadamente aberto fogo contra os detidos, havendo alguns feridos", disse a organização não-governamental (ONG) numa mensagem na rede social X.
A ONG tem vindo a noticiar há dias que as visitas familiares estão a ser impedidas nesta prisão no Oeste da Venezuela e hoje os reclusos "tomaram o controlo das instalações prisionais".
O observatório publicou imagens e vídeos, que mostram reclusos encapuzados nos telhados da prisão, a queimar colchões. Noutro vídeo, um recluso aparece com ferimentos no braço. "O diretor está a agir mal [...] não está a permitir visitas", ouve-se nas imagens, enquanto outro recluso afirma que estão a ser "maltratados".
Segundo o OVP, um grupo da Guarda Nacional entrou na penitenciária e lançou bombas de gás lacrimogéneo, que também atingiram as mulheres no anexo feminino, que, asseguram, estão a ser auxiliadas pelos reclusos que protestam.
Os reclusos exigem a demissão de Elvis Macuare Guerrero, o recém-nomeado diretor da prisão. "Entretanto, à porta da prisão, mães, pais, mulheres e familiares dos reclusos estão desesperados porque não têm informações, apenas ouvem algumas explosões e veem o fumo provocado pelos reclusos vindo das torres", referiu.
O Ministério dos Serviços Prisionais reportou, em 21 de abril, uma rebelião na prisão de Yare, no estado de Miranda (norte da Venezuela), que fez cinco mortos, e o Ministério Público anunciou uma investigação.