Gamificação deve reforçar liberdade e não limitar escolhas, alerta especialista
Rui Cordeiro defende “micro-utopias” e uso ético de sistemas digitais
O especialista em gamificação e design de comportamento, Rui Cordeiro, defendeu esta quinta-feira que os sistemas digitais devem ser usados para reforçar a capacidade de decisão individual e não para limitar escolhas através de algoritmos.
No debate moderado por Ricardo Oliveira, director-geral e editorial do DIÁRIO de Notícias da Madeira, no âmbito do painel “A Gamificação – O Mundo e as Empresas em Modo de Jogo”, no Savoy Palace, o orador sublinhou que “nós temos a capacidade de criar o nosso próprio jogo”, destacando a importância da capacitação individual.
Rui Cordeiro alertou, contudo, para os riscos de sistemas algorítmicos que possam condicionar comportamentos, defendendo que a tecnologia “faz aquilo que os humanos querem que ela faça”, pelo que a responsabilidade permanece sempre humana.
O especialista introduziu o conceito de “micro-utopias” como espaços de proximidade onde indivíduos podem imaginar e construir realidades alternativas, contrariando a tendência de homogeneização digital.
O debate abordou ainda questões éticas ligadas à gamificação, com ênfase na necessidade de transparência, voluntariedade e responsabilidade na implementação destes sistemas.
Rui Cordeiro defendeu que projectos nesta área devem começar de forma experimental, através de modelos-piloto, permitindo ajustes progressivos antes da expansão em larga escala.
Concluiu com a ideia de que a gamificação deve ser entendida como uma ferramenta de participação e não de controlo, exigindo enquadramento ético claro para garantir a confiança dos utilizadores.