O marketing da “Ilha da Natureza” não limpa levadas nem abre estradas
Declaração de interesse: Sou profissional do sector do turismo de natureza na Madeira. As nossas serras, as levadas e os nossos PRs são onde vou buscar o meu ganha-pão.
As caminhadas clássicas da Madeira. Não ficam a dever nada a gigantes como o Zion National Park (Utah, EUA), as Dolomitas em Itália ou o mítico Tour do Monte Branco nos Alpes. Para quem conhece o terreno, fazer um Caldeirão Verde, os Picos ou um Larano é uma experiência mágica — mesmo para quem já os percorreu mais de uma centena de vezes.
O problema surge, quando confrontamos a propaganda com a realidade. A APM, a Secretaria e o IFCN anunciam à tripa forra, por esse mundo fora, que somos a ilha da natureza, das caminhadas, das atividades outdoor... Tudo balelas! Estas instituições, cujas cúpulas vivem centradas em tudo menos na serra. Vivem no redemoinho da burocracia e do cálculo político-económico. São tudo menos instituições pro-activas no que à serra e à montanha diz respeito!
Vamos aos factos e aos casos práticos: como é possível que um clássico como o Caldeirão Verde esteja encerrado há mais de quatro meses?
Como é possível que a Levada do Furado esteja intransitável há mais de meio ano?
Como é possível que a estrada mais espetacular da ilha, entre a Encumeada e a Bica da Cana, esteja fechada há mais de dois anos?
Amigos, saiam dos gabinetes no Funchal! Tenham a humildade de descer ao terreno e ouvir quem realmente sabe o que se passa: Os passeios de Jipe, os guias de montanha, as agências que fazem Tours, os Vigilantes da Natureza , os Florestais. A serra não se gere com estatísticas de turismo; gere-se com botas no terreno e intervenção rápida.
Pedro Trindade