Surto de Ébola na RDCongo é "extremamente preocupante"
A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) disse hoje que a epidemia de Ébola no nordeste da República Democrática do Congo "é extremamente preocupante", tendo já quase 250 casos suspeitos e 80 mortes.
"O número de casos e de mortes que observamos num período tão curto, combinado com a propagação em várias zonas sanitárias e agora além da fronteira, é extremamente preocupante", declarou responsável pelo programa de emergência da organização não-governamental (ONG) MSF, Trish Newport, num comunicado citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).
O Africa CDC, a agência de saúde da União Africana, tinha declarado na sexta-feira que estava em curso uma nova epidemia na RDCongo, alertando para um "risco elevado de propagação" do vírus.
O ministro da Saúde da RDCongo alertou já que a taxa de mortalidade da variante Bundibugyo do Ébola é muito elevada.
O foco da epidemia foi localizado em Ituri, província do nordeste da RDCongo que faz fronteira com o Uganda e o Sudão do Sul, onde o acesso a certas zonas é dificultado pela violência perpetrada por vários grupos armados neste país africanos que faz também fronteira, a sul, com Angola.
"Em Ituri, muitas pessoas já têm dificuldade em aceder aos cuidados de saúde e vivem numa insegurança permanente, o que torna indispensável uma ação rápida para impedir que a epidemia se agrave ainda mais", alertou Newport, acrescentando que a MSF já tem equipas em Ituri e está a preparar "uma intervenção em grande escala o mais rapidamente possível".
A RDCongo tinha registado uma epidemia anterior de Ébola entre agosto e dezembro de 2025, que causou pelo menos 34 mortos no centro do país.
A epidemia mais mortífera da doença neste vasto país da África Central, com mais de 100 milhões de habitantes, causou cerca de 2.300 mortos e 3.500 doentes, entre 2018 e 2020.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, o ébola tem uma taxa de mortalidade entre os 60% e os 80%, é transmitido por fluidos corporais e provoca febre alta, fraqueza intensa e hemorragias graves.