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Madeira

Trindade e Gomes defendem integração sem perda de identidade cultural

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O chairman do Grupo PortoBay, António Trindade, e o director regional das Comunidades e Cooperação Externa, Sancho Gomes, defenderam que a integração dos imigrantes deve assentar numa lógica de responsabilidade partilhada e respeito pelas identidades culturais.

O debate aconteceu durante o TEDxMadeira Salon, dedicado ao tema “Migrações”, nas Adegas da Madeira Wine Company, no Funchal.

António Trindade sublinhou que o processo de integração não pode depender apenas do Estado ou do Governo, defendendo uma maior corresponsabilização das empresas, associações e sociedade civil.

“Nós somos os principais interessados nisso”, afirmou.

O empresário revelou que o Grupo PortoBay promove cursos de língua portuguesa para trabalhadores imigrantes dentro do próprio horário laboral, precisamente para reforçar a ideia de compromisso colectivo com a integração.

Ao mesmo tempo, voltou a insistir na necessidade de reconhecimento das qualificações académicas e profissionais dos estrangeiros que chegam à Região.

“Muitas vezes são pessoas com 14 ou 16 anos de escolaridade que acabam como ajudantes de pedreiro ou em funções que os residentes já não querem”, alertou.

António Trindade considerou ainda essencial que os processos de integração respeitem as culturas e tradições das comunidades migrantes, criando previsibilidade e equilíbrio entre direitos, deveres e valores sociais.

Já Sancho Gomes fez questão de distinguir integração de “aculturação”, recusando a ideia de que os imigrantes devam perder a própria identidade para serem aceites.

“Nós não queremos aculturar rigorosamente ninguém”, afirmou.

O governante defendeu antes uma sociedade intercultural, onde diferentes culturas consigam coexistir em diálogo e respeito mútuo.

“Queremos que dominem a língua portuguesa, que respeitem o nosso sistema jurídico e democrático, mas que mantenham a sua fé, os seus festejos e a sua herança cultural”, explicou.

Sancho Gomes lembrou ainda que a própria Madeira sempre procurou preservar a identidade dos emigrantes madeirenses espalhados pelo mundo, considerando natural aplicar o mesmo princípio às comunidades estrangeiras residentes na Região.