Trindade e Sancho destacam impacto económico e cultural da imigração na Madeira
O chairman do Grupo PortoBay, António Trindade e o director regional das Comunidades, defenderam que a imigração tem tido um impacto decisivo no desenvolvimento económico, social e cultural da Madeira, considerando mesmo que a Região ainda não consegue medir totalmente os efeitos positivos desse contributo.
“Daqui a 20 ou 25 anos conseguiremos perceber verdadeiramente o impacto desta imigração na nossa sociedade”, afirmou durante o TEDxMadeira Salon, dedicado ao tema “Migrações”.
O empresário sublinhou que muitos dos estrangeiros que chegaram à Madeira trouxeram talento, formação e novas perspectivas culturais que ajudaram a transformar vários sectores da sociedade regional.
Como exemplo, apontou o caso da Orquestra Clássica da Madeira, lembrando o contributo de músicos ucranianos e russos que chegaram à Região no final da década de 90.
“Hoje já vemos pais e filhos integrados nessa realidade cultural”, destacou.
António Trindade voltou também a recorrer ao exemplo de um arquitecto ucraniano que trabalhou como ajudante de pedreiro durante a construção do Hotel Porto Mare, defendendo que muitos imigrantes chegam altamente qualificados, apesar de frequentemente desempenharem funções abaixo das suas competências.
“No grupo hoteleiro, para a mesma categoria profissional, os imigrantes têm em média mais três anos de escolaridade do que os autóctones”, revelou.
O chairman do Grupo PortoBay considerou ainda que muitos países de acolhimento beneficiam de profissionais cuja formação foi integralmente suportada pelos países de origem.
“A Ucrânia pagou toda a formação daquele arquitecto e nós beneficiámos do seu contributo”, afirmou.
António Trindade elogiou igualmente a coragem dos migrantes que deixam os seus países e famílias em busca de melhores condições de vida, comparando essa realidade às antigas vagas emigratórias madeirenses.
“Há que tirar o chapéu a esta gente”, afirmou.
Na parte final da intervenção, defendeu também o direito à mobilidade como um princípio fundamental das sociedades democráticas.