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Madeira

Sancho Gomes alerta para crescimento de discursos de ódio e lembra que “os imigrantes são pessoas, não números”

Foto ASPRESS
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O director regional das Comunidades e Cooperação Externa, Sancho Gomes, defendeu esta sexta-feira uma visão mais humanista sobre as migrações, alertando para o crescimento de discursos racistas e populistas e lembrando que a história da Madeira está profundamente marcada pela emigração.

A intervenção aconteceu no TEDxMadeira Salon, dedicado ao tema “Migrações”, que decorre nas Adegas da Madeira Wine Company, no Funchal.

Ao longo da talk “Migrações: nós também somos os outros”, Sancho Gomes insistiu que o fenómeno migratório não pode ser reduzido a estatísticas.

“Os imigrantes não são números. São pessoas com desejos de progressão, que querem constituir família e ser felizes”, afirmou.

O governante recordou que a Madeira possui mais de 650 anos de história migratória contínua e lembrou que os madeirenses sempre partiram “para onde os barcos iam”, fugindo à pobreza, à fome e à falta de oportunidades.

“Nós somos 250 mil pessoas nestas rochas no meio do Atlântico, mas somos mais de um milhão espalhados pelo mundo”, referiu.

Sancho Gomes criticou ainda o crescimento de discursos “demagógicos e populistas” sobre imigração, considerando que muitas dessas narrativas são artificiais e acabam por dar dimensão pública a posições racistas e xenófobas.

“Estamos a normalizar aquilo que não é norma”, afirmou.

Ao mesmo tempo, defendeu que os madeirenses têm obrigação moral de olhar para os migrantes com empatia, precisamente por conhecerem historicamente a experiência da emigração e da discriminação no estrangeiro.

“Os nossos emigrantes ouviram durante décadas frases como ‘vêm roubar trabalho’, ‘não falam a língua’ ou ‘não se vão integrar’. Hoje ouvimos exactamente os mesmos discursos dirigidos aos imigrantes que chegam cá”, alertou.

Durante a intervenção, Sancho Gomes destacou ainda o contributo económico, cultural e social das comunidades estrangeiras residentes na Madeira, revelando que a Região conta actualmente com cerca de 19 mil cidadãos estrangeiros.

“Estas pessoas vêm ajudar a construir a nossa sociedade”, sublinhou, apontando o impacto da imigração em sectores como tecnologia, investimento e mercado de trabalho.

No final, deixou um apelo à reflexão sobre o tipo de sociedade que a Madeira pretende ser.

“A pergunta não é quem são aqueles que chegam. A verdadeira pergunta é que sociedade queremos nós construir”, concluiu.