Seguro discursa hoje em Florença e reúne-se com Mattarella em Roma
O Presidente da República, António José Seguro, vai discursar hoje de manhã no Instituto Universitário Europeu, em Florença, e de tarde irá reunir-se com o Presidente de Itália, Sergio Mattarella, em Roma.
O chefe de Estado vai falar como orador principal na cerimónia que assinala o 50.º aniversário do Instituto Universitário Europeu. A sua intervenção está prevista para as 11:30 locais (10:30 em Lisboa).
Pouco depois, na mesma cerimónia, intervirão, em painéis distintos, a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, e o presidente do Conselho Europeu e antigo primeiro-ministro português, António Costa.
António José Seguro seguirá, entretanto, de Florença para Roma, de comboio, para um encontro com o seu homólogo italiano, Sergio Mattarella, que está marcado para as 16:30, no Palácio do Quirinal.
Esta é a sua segunda deslocação ao estrangeiro enquanto Presidente da República, depois da visita oficial que fez a Espanha, entre 19 e 20 de abril, durante a qual se encontrou com o Rei Felipe VI e com o chefe do Governo espanhol, Pedro Sánchez, em Madrid.
António José Seguro, que foi deputado ao Parlamento Europeu pelo PS entre 1999 e 2001 e se define como "europeísta convicto", tem defendido o reforço da "autonomia estratégica" da União Europeia em setores como a defesa e a energia.
Na semana passada, no encerramento do Fórum La Toja -- Vínculo Atlântico, em Lisboa, António José Seguro retomou essa mensagem e defendeu o "aprofundamento político" da União Europeia através de reformas institucionais que incluam o fim da regra da unanimidade nalguns domínios.
Sobre a "defesa europeia", disse que "não pode continuar a ser uma caminhada lenta, baseada apenas em coligações de vontade".
O chefe de Estado considerou que é preciso "uma Europa com capacidade de decidir, de falar com uma voz credível em política externa, de mobilizar recursos à escala dos desafios que enfrenta", e que "isso exige reformas institucionais" há muito adiadas.
António José Seguro argumentou que a União Europeia não pode ser governada "com instrumentos do século XX" e "precisa de um arranjo institucional sólido, eficiente e com recursos adequados, que integre outras democracias, tais como o Reino Unido e a Noruega".
Sobre a relação com os Estados Unidos da América, defendeu que deve ser "uma parceria entre iguais, em que a Europa afirma os seus interesses, contribui com o seu peso e não abdica dos seus valores", mesmo quando isso implica "tensões com posições com Washington".
Por outro lado, o Presidente da República apontou "a recente aproximação entre o Canadá e a Europa" como "uma oportunidade" a não desperdiçar.
"O Canadá partilha com a Europa não apenas valores liberais e democráticos, mas também uma visão do multilateralismo, do direito internacional e da cooperação que o torna um parceiro natural", sustentou.