Crescimento da economia regional voltou a acelerar
O Indicador Regional de Atividade Económica (IRAE) revela que manutenção da trajectória positiva há 59 meses
O Indicador Regional de Actividade Económica (IRAE) voltou a acelerar no mês de Fevereiro de 2026, estancando a quebra que vinha dos três meses anteriores, o que significa que a economia madeirense fixa o ciclo positivo pelo 59.º mês consecutivo, iniciado em Abril de 2021. Ou seja, quase cinco anos consecutivos.
Desta feita, passou de um indicador positivo de 0,4% em Janeiro para 1,5% no segundo mês do ano, mas importa esclarecer: "Como a DREM referiu na primeira divulgação do IRAE, em Outubro de 2017, o objetivo do mesmo é sinalizar o comportamento da atividade económica, nomeadamente no que se refere à sua direção e magnitude das flutuações: se esta se encontra em terreno positivo ou negativo, as acelerações, desacelerações e a identificação de pontos de viragem. O seu valor quantitativo assume, por isso, uma importância secundária, não se apresentando o mesmo como um substituto da variação real do Produto Interno Bruto, a ser apurada com um conjunto mais variado e completo de informação estatística, muito embora haja uma forte correlação entre as duas variáveis."
Assim, na Síntese Económica de Conjuntura, a DREM analisa a situação económica da RAM dividida em 7 tópicos, resumidos em baixo.
Atividade Económica
- Em fevereiro de 2026, a economia regional evidenciou um reforço do ritmo de crescimento, registando uma aceleração face ao mês precedente.
- O número de dormidas nos estabelecimentos de alojamento turístico voltou a diminuir (-2,1%), acentuando a redução registada em janeiro (-1,6%). Ainda assim, os proveitos totais mantiveram uma evolução positiva, crescendo 8,5%, ligeiramente acima do mês precedente (8,4%). Em contraste, o RevPAR prosseguiu a trajetória de desaceleração, fixando-se em 6,4% (7,6% em janeiro e 11,9% em dezembro).
- A emissão de energia elétrica intensificou o crescimento, registando um aumento de 4,8%, superior ao observado em janeiro (3,9%). Por sua vez, a introdução no consumo de gasóleo manteve-se em terreno negativo, com uma diminuição de 2,7%, agravando a tendência de redução dos meses anteriores.
- No que respeita à dinâmica empresarial, a relação entre sociedades constituídas e dissolvidas fixou-se em 2,8 novas sociedades por cada dissolução, traduzindo um abrandamento face ao registado em janeiro (3,4).
Indicadores Qualitativos
- Em fevereiro de 2026, os indicadores de confiança nos sectores de atividade da Indústria Transformadora, do Comércio e na Construção e Obras Públicas diminuíram face ao mês anterior, enquanto nos Serviços houve um aumento.
Consumo Privado
- No mês em análise, a introdução no consumo de gasolina apresentou uma variação homóloga de 6,8%, superior à registada em janeiro (5,1%), interrompendo a trajetória de abrandamento que se observava desde setembro.
- O saldo dos empréstimos concedidos às famílias e às instituições sem fins lucrativos ao serviço das famílias para consumo e outros fins aumentou 8,7%, ligeiramente abaixo do valor observado no mês anterior (9,0%).
- Os levantamentos e compras através de terminais de pagamento automático (TPA) com cartões nacionais cresceram 3,4%, desacelerando face a janeiro (3,9%).
- As vendas de automóveis ligeiros de passageiros diminuíram 25,2%, traduzindo uma contração significativamente mais acentuada do que a observada no mês precedente (-3,4%).
Investimento
- Em fevereiro de 2026, os indicadores de investimento continuaram a evidenciar um comportamento globalmente heterogéneo, com sinais divergentes entre os diferentes indicadores.
- As vendas de automóveis ligeiros de mercadorias registaram uma diminuição de 15,4%, traduzindo uma contração menos acentuada do que a observada em janeiro (-19,6%). Por sua vez, o saldo dos empréstimos concedidos a sociedades não financeiras diminuiu 0,2%, evidenciando uma redução menos pronunciada do que a verificada no mês anterior (-0,9%).
- A comercialização de cimento manteve-se em terreno negativo, com uma variação homóloga de -5,8%, agravando a quebra observada em janeiro (-4,1%). Em sentido contrário, o saldo dos empréstimos à habitação concedidos às famílias e a avaliação bancária da habitação aumentaram 8,5% e 20,2%, respetivamente, mantendo a trajetória de crescimento.
- Relativamente ao número de edifícios licenciados, registou-se um aumento de 14,8%, invertendo a trajetória decrescente observada nos meses anteriores.
Procura Externa
- Em fevereiro de 2026, as exportações regionais de bens diminuíram 7,3%, traduzindo uma contração menos acentuada do que a observada no mês anterior (-11,4%). Em sentido contrário, as importações de bens aumentaram 28,9%, acelerando face ao crescimento registado em janeiro (24,7%).
- O movimento de mercadorias nos portos da Região aumentou 8,7%, invertendo a diminuição verificada no mês anterior (-4,6%).
- O tráfego de passageiros nos aeroportos regionais manteve-se em crescimento, registando um aumento de 3,8%, embora a um ritmo inferior ao observado em janeiro (4,2%) e nos meses anteriores.
- Relativamente aos levantamentos e compras através de TPA com cartões internacionais, observou-se uma diminuição de 1,6%, agravando a redução registada no mês anterior (-0,5%).
Mercado de Trabalho
- Em fevereiro de 2026, o número de desempregados inscritos diminuiu 6,9%, mantendo a trajetória descendente dos meses anteriores e em linha com a variação registada em janeiro (-6,9%).
- Os pedidos de emprego registaram igualmente uma diminuição de 6,9%, confirmando a continuidade da trajetória descendente, ainda que ligeiramente menos acentuada do que no mês anterior (-7,4%).
- Por sua vez, as ofertas de emprego diminuíram 3,8%, traduzindo uma contração bastante menos intensa do que a observada em janeiro (-21,5%).
Preços
- A taxa de variação homóloga do Índice de Preços no Consumidor (IPC) aumentou para 2,8% em fevereiro de 2026, após os 2,3% registados no mês anterior.
- A inflação nos bens situou-se em 1,7% (1,3% em janeiro), enquanto nos serviços acelerou para 4,1% (3,4% no mês precedente).
- A inflação subjacente, que exclui os produtos alimentares não transformados e energéticos, aumentou para 2,6%, face aos 2,0% registados em janeiro.