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Madeira

JPP diz que CTT tinha serviço "quase de excelência" antes de ser privatizada

Foto DR/JPP
Foto DR/JPP

De acordo com o JPP, "a privatização dos CTT é um exemplo de como uma decisão política precipitada e mal calculada poderá transformar num caos um serviço que era quase de excelência”, resultado de “uma estrutura subdimensionada a rebentar pelas costuras, e a deixar a Região Autónoma da Madeira e a sua população sem um serviço essencial”.

Citando o deputado Luís Martins, "as falhas dos CTT, só esta semana vieram a público pela comunicação social, mas os problemas com os atrasos nas entregas dos CTT já se verificam há vários meses", enfatizando que "este problema é uma espécie de copo de água que está a encher há muito tempo e que agora transborda".

O parlamentar acrescenta que "as encomendas, cartas vales postais de reformas e segurança social são entregues aos madeirenses recorrentemente com atrasos, com as consequências que isso tem para a organização da sua vida familiar e financeira", aponta, "não esquecendo que estamos a falar de pessoas mais idosas e mais vulneráveis, sem grandes meios financeiros, e não raras vezes, quando chegam às caixas de correio já terminou o prazo de pagamento".

O eleito pelo maior partido da oposição parlamentar refere que "os concelhos mais populosos, como Funchal, Santa Cruz, Câmara de Lobos ou Machico, são aqueles onde se verificam maior número de queixas, apesar das falhas serem transversais a toda a Ilha, com maior impacto social nas zonas mais recônditas, onde os serviços postais dos CTT têm uma importância acrescida", refroça. "Para agravar a situação os CTT não apresentam soluções para estes constrangimentos, nem justificações às populações afetadas pelas falhas de um serviço essencial"

O deputado sublinha que "a justificação que agora vem a público prende-se com falhas de terceiros, sobretudo limitações no transporte para a RAM, tanto por via aérea como marítima, o que uma vez mais vem dar razão ao JPP quando defende a linha marítima por ferry para o transporte de carga e passageiros, o fim das políticas protecionistas e dos monopólios, proporcionando mais oferta, mais concorrência, melhores serviços e melhores preços".

Aliás, refere, "a DECO confirma que tem recebido várias queixas devido às supramencionadas falhas, sendo que os CTT referem que a situação está identificada e a ser acompanhada, justificando ainda estas falhas com ajustes operacionais", diz Luís Martins.

"Compreendemos que a empresa faça a sua gestão de forma eficiente e com vista a tornar a empresa rentável, mas não podemos aceitar que isso seja feito à conta de falhas sucessivas de um serviço público essencial e do sacrifício dos profissionais", reforça. "Ficamos assim com algumas dúvidas sobre o que são estes ajustes operacionais, e se eventualmente se referem à não renovação de contratos, para assegurar os períodos de férias e baixas por doença, e a redução de pessoal por razões economicistas, colocando em risco o serviço", sinaliza Luís Martins. E acrescenta: "Perante este cenário já complicado, da parte dos profissionais existe a perceção de que a situação ainda vai piorar, atendendo ao período de férias dos carteiros que se aproxima, à sobrecarga de trabalho para quem fica ao serviço, o que já se verifica e às situações de baixa, muitas eventualmente resultantes de situações de sobrecarga pré-existentes."

O JPP refere que "devido a estas situações, a estrutura de distribuição está subdimensionada e existem muitos concelhos, em especial os menos populosos que são assegurados por dois ou três profissionais, e no geral, devido a todos os constrangimentos elencados, o serviço deve contar com aproximadamente dois terços dos efetivos da distribuição o que se verifica claramente insuficiente para assegurar um serviço essencial à população madeirense".

Assim, "perante esta situação", o JPP "manifesta a sua solidariedade a todos os madeirenses afetados por estas falhas recorrentes, aos trabalhadores que todos os dias dão o seu melhor para 'levar o barco a bom porto' e insta a empresa que tem o contrato de concessão e o Governo que concessionou que diligenciem no sentido de ultrapassar estas falhas e constrangimentos, naquele que é um serviço público essencial a todos os madeirenses", conclui.