Sánchez diz ser "dever moral e legal" acolher navio nas Canárias
O primeiro-ministro espanhol considerou hoje um "dever moral e legal" a operação de desembarque e repatriamento de mais de 100 pessoas que estão no barco onde houve infeções com hantavírus, prevista para as próximas horas nas ilhas Canárias.
"Aceitar a solicitação da OMS [Organização Mundial da Saúde e oferecer um porto seguro é um dever moral e legal para os nossos cidadãos, a Europa e o direito internacional", disse Pedro Sánchez, numa publicação nas redes sociais.
"Espanha estará sempre ao lado de quem precisa de ajuda. Porque há decisões que definem o que somos como sociedade", acrescentou.
A acompanhar este texto, Sánchez publicou imagens do encontro que teve hoje, em Madrid, com o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que está agora a caminho das Canárias, para acompanhar a operação de retirada de passageiros e tripulantes do navio de cruzeiro "MV Hondius", que deverá chegar a um porto da ilha de Tenerife na próxima madrugada.
O Governo de Espanha disse hoje estar tudo preparado nas Canárias para o desembarque e repatriamento das pessoas que estão no navio, numa "operação inédita, de uma envergadura internacional sem precedentes", nas palavras da ministra da Saúde espanhola, Mónica García.
Estão no "MV Hondius", que esteve de quarentena em Cabo Verde, 147 pessoas, de 23 nacionalidades, incluindo passageiros, tripulação e pessoal médico da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC, na sigla em inglês).
Desembarcarão nas Canárias, em Tenerife, mais de 100 pessoas, que serão repatriadas a partir de um aeroporto desta ilha, em aviões de vários países e da União Europeia (UE).
Vão manter-se no barco 43 membros da tripulação, que seguirão viagem, na segunda-feira, para levar o paquete até aos Países Baixos, país onde está registada a propriedade do "MV Hondius" e de onde é o armador.
A OMS considerou que as Canárias são o porto com todas as condições logísticas e de segurança para esta operação que estava mais próximo do local onde estava o barco quando foi declarado o alerta sanitário por casos de infeção e suspeita de infeção com hantavírus.
O desembarque e repatriamento das pessoas a bordo far-se-á em zonas reservadas e isoladas do porto industrial de Granadilla e do aeroporto Tenerife Sul, sem qualquer contacto com a população local.
Também o percurso de cerca de 10 quilómetros entre o porto e o aeroporto, em que serão usados veículos militares, estará isolado.
Tripulantes e passageiros só sairão do barco quando o avião que os vai repatriar estiver já preparado para descolar e serão levados diretamente à pista do aeroporto.
A previsão neste momento é que o "MV Hondius" chegue ao porto de Granadilla entre as 04:00 e as 06:00 de domingo (mesma hora em Lisboa).
O barco não vai tocar na costa e ficará ancorado, pelo que serão usadas lanchas para retirar as pessoas, em pequenos grupos, e por nacionalidades.
A operação será coordenada por Espanha, Países Baixos, a OMS e o ECDC.
O diretor-geral da OMS dirigiu-se hoje à população de Tenerife, numa carta aberta em que afastou o cenário de "uma nova covid" e reiterou que "o risco atual para a saúde pública causado pelo hantavírus mantém-se baixo".
A OMS confirmou até agora seis casos de oito suspeitos de infeção com hantavírus em pessoas que viajaram neste barco. Três pessoas morreram e nenhum dos doentes ou suspeitos de estarem infetados estão já a bordo.
O barco viajava desde a Argentina até Cabo Verde, pelo Atlântico Sul, e suscitou um alerta sanitário internacional no passado fim de semana.
O hantavírus transmite-se geralmente a partir de roedores infetados. A variante detetada no paquete, o hantavirus Andes, é rara e pode transmitir-se de pessoa para pessoa.