Eduardo Jesus faz balanço “extremamente positivo” da gestão dos percursos pedestres
O secretário regional do Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, fez um balanço “extremamente positivo” do projecto de gestão e reserva dos percursos pedestres da Madeira, considerando que as medidas implementadas vieram trazer maior organização, segurança e controlo à utilização dos espaços naturais da Região.
À margem da cerimónia do 10.º aniversário do Instituto das Florestas e Conservação da Natureza, realizada no Funchal, o governante admitiu que a implementação do novo modelo enfrentou alguns constrangimentos iniciais, mas defendeu que o sistema evoluiu para uma “normalidade absoluta”.
“O balanço é extremamente positivo. Todo o pensamento que foi estruturado para esta prática está a revelar-se adequado”, afirmou.
Eduardo Jesus explicou que o processo começou com um estudo desenvolvido em parceria com a Universidade da Madeira para calcular a capacidade de carga dos percursos, permitindo depois avançar para novas medidas, nomeadamente a criação de horários de acesso.
“A adopção dos slots, que era a grande novidade no que diz respeito à escolha do momento para usufruir dos percursos, traduziu-se numa normalidade”, disse.
O secretário regional destacou ainda o trabalho de articulação com operadores turísticos e empresas ligadas às visitas organizadas, considerando que o diálogo permitiu ajustar o modelo às necessidades do sector.
Segundo Eduardo Jesus, a divulgação das novas regras tem sido reforçada em vários pontos de contacto com os visitantes, desde o aeroporto e porto até aos postos de turismo e empresas de rent-a-car.
“Produzimos 500 mil marcadores com QR Code que dão acesso directo à marcação dos percursos”, revelou, acrescentando que grande parte dos utilizadores do espaço natural recorrem a viaturas de aluguer.
O governante reiterou que toda a receita obtida através dos percursos pedestres será reinvestida na manutenção e melhoria dessas infraestruturas. Como exemplo, apontou as intervenções em curso no PR1, entre o Pico do Areeiro e o Pico Ruivo, bem como na Ponta de São Lourenço.
Eduardo Jesus lembrou ainda projectos mais estruturantes para zonas naturais consideradas prioritárias, nomeadamente Areeiro, Ribeiro Frio, Ponta de São Lourenço, Fanal e Rabaçal, onde o objectivo passa pela reorganização dos acessos, criação de parques de estacionamento e controlo de entradas.
“Esta tendência de levar o carro até ao início do percurso tem de ser contrariada”, afirmou, defendendo soluções que afastem o estacionamento das zonas de visita.
Questionado sobre alegadas situações de degradação no Fanal, o secretário regional rejeitou cenários alarmistas e acusou a existência de campanhas “mal-intencionadas”.
“O Fanal não está numa desgraça, nem nunca esteve”, declarou.
Segundo o governante, o trabalho desenvolvido no local passa pela regeneração de áreas sensíveis, instalação de vedações e definição de circuitos de visita para proteger espécies mais vulneráveis ao contacto humano.
No âmbito da segurança dos percursos, Eduardo Jesus destacou as intervenções realizadas no PR1, incluindo a instalação de guardas metálicas, alargamento de trilhos e a implementação de circulação num único sentido entre o Pico do Areeiro e o Pico Ruivo.
“Qualquer actividade ao ar livre tem sempre risco associado. Compete ao IFCN agir nas condições que diminuem esse risco”, sublinhou.
O secretário regional diferenciou ainda “incidentes” de “acidentes”, considerando que muitos dos problemas registados resultam do incumprimento das regras definidas para os percursos.
“Os acidentes que têm acontecido na Madeira acontecem porque as pessoas não respeitam as regras que estão estipuladas”, afirmou.
Eduardo Jesus reconheceu que continuam a existir situações pontuais de visitantes que tentam aceder a trilhos encerrados ou contornar o sistema de reservas, revelando que o IFCN apresentou recentemente uma queixa-crime após a divulgação de imagens de uma pessoa a ultrapassar uma vedação num percurso interdito, conforme noticiou hoje o DIÁRIO, na edição impressa.
Ainda assim, considerou que a presença permanente de equipas no terreno tem contribuído para reduzir significativamente essas ocorrências e reforçar a fiscalização dos espaços naturais da Região.