Bruxelas mapeia reservas de emergência de jet fuel mas afasta risco imediato de escassez
A Comissão Europeia disse hoje estar a mapear as reservas de emergência na União Europeia (UE) dada a crise energética causada pelo conflito no Médio Oriente, mas descartou qualquer problema no abastecimento de combustível de aviação neste momento.
"As refinarias da UE cobrem cerca de 70% do consumo de combustível de aviação na Europa. Apenas 20% é importado dos países do Golfo e, nesta fase, não temos qualquer prova nem sinais de que exista um problema de abastecimento de combustível de aviação [jet fuel]", disse o comissário europeu dos Transportes, Apostolos Tzitzikostas.
Falando em conferência de imprensa em Bruxelas, no dia em que apresentou uma iniciativa de bilhete único para o setor ferroviário, o responsável apontou que a instituição vai "mapear as capacidades de refinação europeias, avaliar as necessidades e identificar possíveis ações coletivas para garantir a plena utilização das capacidades existentes e o acesso aos produtos em toda a UE, bem como aumentar a produção de biocombustíveis sustentáveis".
"Por outras palavras, queremos saber - e sabemos exatamente - quais são as reservas de emergência em cada país e em que quantidade existem, e apenas se necessário, o que não é o caso neste momento, nem há sinais de que venha a ser necessário num futuro próximo. Se necessário, começaremos a libertar reservas de emergência, mas de forma ordenada e com coordenação da UE", salientou.
De acordo com Apostolos Tzitzikostas, "o principal objetivo é maximizar a disponibilidade e a capacidade operacional do setor de refinação europeu e, ao mesmo tempo, estar preparado para qualquer possível cenário de, por exemplo, escalada no Médio Oriente".
"Naturalmente, o papel de coordenação da Comissão é essencial no acompanhamento e na decisão de ações coletivas, e estamos a trabalhar em todos os cenários possíveis nesta fase", referiu.
"Se necessário, poderemos até adotar algumas das políticas e decisões que já tomámos para facilitar os Estados-membros, companhias aéreas ou qualquer outro setor ou componente da economia europeia, novamente, se e apenas se for necessário, o que não é o caso atualmente", reforçou ainda Apostolos Tzitzikostas.
Numa altura em que se assinalam quase três meses desde os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão e da consequente resposta iraniana, já se assistem a consequências para a aviação como aumento de custos, impacto nas operações devido à subida dos preços da energia, perturbações nas rotas e riscos acrescidos para a logística global.
A Agência Internacional de Energia já veio fazer vários alertas sobre eventual escassez de combustível para a aviação, embora o Governo português assegure abastecimento pelo menos até final de agosto e planos posteriores.
As leis da UE obrigam os Estados-membros a manterem reservas estratégicas para 90 dias de petróleo, sendo que cabe aos Estados-membros decidir que parte corresponde a petróleo bruto e que parte corresponde a produtos refinados, incluindo querosene e combustível para a aviação.
A UE importa a maior parte do petróleo que consome, o que a torna altamente exposta a choques externos como a atual crise energética relacionada com o conflito que envolve Irão, Estados Unidos e Israel.
Apesar de Bruxelas garantir que não haver problemas no abastecimento à UE, já se assiste à volatilidade dos preços, aumento dos custos e perturbações na indústria, havendo maior sentido de urgência em diversificar fornecedores e acelerar a transição para fontes de energia mais seguras e renováveis.