BE-Madeira alerta no 1.º de Maio para "ataque radical" aos direitos laborais
O Bloco de Esquerda da Madeira assinalou o Dia do Trabalhador lembrando as conquistas do 25 de Abril e criticando duramente o novo "pacote laboral" da direita
O BE-Madeira marcou este 1.º de Maio com um apelo à união dos trabalhadores face ao que considera ser "uma ofensiva sem precedentes" contra os direitos laborais conquistados com a Revolução dos Cravos, cujo 52.º aniversário se assinala este ano.
O partido recordou que, na Madeira, a primeira celebração do Dia do Trabalhador após o 25 de Abril de 1974 aconteceu apenas oito dias depois do golpe, constituindo, nas suas palavras, "a primeira grande explosão de democracia nas ruas após décadas de repressão fascista". Foi nesse período que se consolidaram conquistas como o Estado Social, o Serviço Nacional de Saúde, a Escola Pública, a Segurança Social, o direito à habitação, o salário mínimo, as férias pagas, a proibição de despedimentos sem justa causa e a liberdade sindical.
Mas se a efeméride convida à memória, o BE-Madeira sublinha que 2026 exige, acima de tudo, intervenção no presente. "Celebrar o 1.º de Maio é mais do que recordar o passado; é reafirmar a urgência da luta no presente", afirmou o partido, que considera que tanto Portugal como a Região Autónoma da Madeira atravessam "um período crítico", marcado pelo aumento do custo de vida e por uma política de baixos salários que, na sua perspectiva, não garante a subsistência de uma parte significativa da classe trabalhadora.
O principal alvo das críticas do BE-Madeira é o novo "pacote laboral" que, segundo o partido, a direita pretende impor. O Bloco classifica o projecto como "profundamente ideológico" e aponta três consequências que considera particularmente graves.
A primeira é o aprofundamento da precariedade: ao facilitar vínculos laborais instáveis, o pacote condenaria a juventude, descrita como "a mais bem preparada de sempre", a uma vida de incerteza, empurrando-a para o adiamento de projectos de vida ou para a emigração.
A segunda é a desvalorização salarial, nomeadamente através do banco de horas individual, que o partido equipara à prestação de trabalho gratuito, e pelo enfraquecimento da contratação colectiva num contexto em que o trabalho precário já domina.
A terceira é o que o BE-Madeira descreve como um ataque à organização sindical, com medidas que, na sua leitura, visam isolar o trabalhador e fragilizar o papel dos sindicatos na defesa do emprego estável e dos salários dignos.
Perante este quadro, o partido apela à união como resposta colectiva. "Num pacote em que não encontramos uma única medida de valorização do trabalho, a união dos trabalhadores é o nosso único escudo", concluiu o BE-Madeira, saudando todos os trabalhadores e trabalhadoras "em luta" e deixando um aviso claro: "Contra a exploração e o ataque aos direitos, a união é a nossa força. Pelo direito a viver com dignidade, a luta continua."