Netanyahu perde apoio de partido ultraortodoxo
Um partido ultraortodoxo aliado há três décadas de Benjamin Netanyahu recusou hoje apoiar o primeiro-ministro cessante, que ambiciona formar o próximo Governo israelita, um desaire que reforça o seu principal rival, Gadi Eisenkot.
Na sequência das eleições legislativas de 27 de outubro, que terminaram sem uma maioria clara, o Presidente israelita, Isaac Herzog, está a receber esta semana os partidos para consultas com vista a indigitar um deputado para constituir Governo.
Herzog recebeu hoje de manhã uma delegação do partido Judaísmo Unificado da Torá (JUT), que integra a coligação governativa cessante de Netanyahu e fez parte do seu primeiro gabinete, em 1996.
"A fação do Judaísmo Unificado da Torá não recomendou qualquer deputado para formar Governo", anunciou a presidência israelita após as conversações.
Nas eleições de 2022, o JUT recomendou Netanyahu para o cargo de primeiro-ministro.
O JUT, cuja base de apoio é constituída por judeus asquenazes, com raízes na Europa Central e de Leste, é um dos maiores partidos ultraortodoxos, a par do Shas, que representa os sefarditas, oriundos do Norte de África e dos países árabes.
Ambas as formações opõem-se categoricamente a qualquer recrutamento militar para os estudantes religiosos, um tema que gera forte tensão em Israel, por o país estar envolvido em frentes militares operacionais.
Netanyahu apoiou os esforços nesse sentido do JUT e do Shas nos últimos anos, mas a incapacidade de aprovar uma lei que consagre a isenção do serviço militar descontentou as formações ultraortodoxas.
"Queremos que, em qualquer Governo a ser formado, o elemento prévio ou imediato seja a regularização do estatuto dos estudantes da Torá", declarou o deputado Isaac Pindrus, membro do JUT, durante o encontro de hoje com Herzog.
A decisão de não apoiar Netanyahu reforça as hipóteses de Eisenkot ser incumbido pelo Presidente de formar o próximo executivo.
São necessários 61 deputados para alcançar a maioria no Knesset, o Parlamento israelita.
Nas eleições da semana passada, o bloco de Netanyahu obteve 53 assentos, contra 48 da aliança de Eisenkot.
Com a abstenção do JUT hoje, o número de apoios previstos para Netanyahu desce para 46, enquanto Eisenkot, que recebeu na quarta-feira o apoio da lista árabe Raam, contabiliza 56 recomendações esperadas.
Entre os partidos que serão recebidos hoje pelo Presidente, apenas a Lista Unificada, principal formação política árabe com 11 deputados, ainda não anunciou a sua posição.
Herzog, que prevê concluir as consultas hoje à noite, embora não ponha de parte que as prolongue, tem até 11 de novembro para indigitar o candidato encarregado de formar Governo.