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Comunidades Madeira

Madeira ratifica apoio à comunidade e destaca novos ventos económicos na Venezuela

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Foto Arquivo

A Madeira reafirmou hoje o seu compromisso em acompanhar e apoiar a comunidade na Venezuela, país que atravessa um momento de transição e expetativa política, e onde a diplomacia e os empresários estreitam laços para impulsionar a cooperação bilateral.

"Gostava de dizer que o governo está sempre empenhado em fazer o acompanhamento dos madeirenses que aqui estão (...) Estamos aqui para ajudar naquilo que é possível", disse o chefe de gabinete do presidente do Governo Regional da Madeira.

Rui Abreu falava em Caracas, no âmbito de uma visita de quatro dias à Venezuela, para auscultar o sentimento atual da comunidade madeirense e acompanhar a delegação empresarial portuguesa que participou, terça-feira, no Fórum Empresarial Portugal-Venezuela, organizado pela Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP).

Em declarações à Lusa, explicou que ele próprio esteve já este ano três vezes, de trabalho, na Venezuela, uma delas após o duplo sismo de 24 de junho, e que o diretor regional das Comunidades Madeirenses e Cooperação Externa, Sancho Gomes, esteve recentemente em La Guaira, a acompanhar as instituições lusas de solidariedade que ajudam os afetados no terreno.

"Distribuímos para essas associações 180 mil euros, que é um valor que podemos dizer que é pouco, mas é aquilo que podemos. E, devo dizer que nenhum outro país teve este ano estes apoios [da RAM]. Nós canalizamos exclusivamente para a Venezuela e exclusivamente para apoio social as verbas que temos para as associações da diáspora madeirense", disse.

Sobre a missão empresarial portuguesa que esteve na Venezuela, explicou que "a Madeira não podia ficar de fora" e que decorreu "em boa hora, num novo ciclo que o país está a tentar iniciar".

"O Ministro da Economia e Coesão Territorial de Portugal foi o primeiro-ministro de um governo europeu a visitar a Venezuela, depois do que aconteceu em janeiro de 2026 [operação militar norte-americana que afastou Nicolás Maduro], e, portanto, isto também é um sinal do interesse que Portugal tem em apoiar, também politicamente, esta transição e este ciclo novo que está a acontecer no país", disse.

Explicou ainda que "das 37 empresas que vieram em missão empresarial, 10 são da Madeira, e, portanto, com a comunidade, a importância e a dimensão da nossa comunidade aqui na Venezuela, a Madeira não podia ficar de fora".

Sobre os setores, explicou que foram vários, referindo as novas tecnologias, construção, projetos, engenharia e alimentação.

"Foram setores muito variados que estiveram aqui presentes e, por aquilo que me disseram, deram por bem empregue esta viagem", frisou.

Frisou ainda que na sua visita anterior a Caracas esteve durante cinco dias seguidos em La Guaira, após o duplo sismo de 24 de junho, onde acompanhou os primeiros trabalhos de salvamento de algumas vidas, principalmente de madeirenses que foram afetados, não só em termos de perda de vidas, como nos seus negócios.

"Ontem voltei a La Guaira e o que se vê é já uma grande limpeza (...) porque quando estive cá [antes], só se viam escombros no chão", disse, precisando que há edifícios que vão ser implodidos e demolidos, por não terem condições de recuperação.

"É um trabalho lento, e penso que o país está também, por aquilo que ouvimos dos próprios ministros e do governo, empenhado na reconstrução dessa parte da Venezuela (...) às vezes estas situações difíceis trazem também oportunidades para o país crescer, e eu espero que seja dada uma resposta nesse sentido", disse.

Em Caracas, explicou, "praticamente [já] não se fala do sismo", "as pessoas também sentiram o sismo, fortíssimo, ficaram apreensivas, mas penso que essa parte também foi ultrapassada, e agora querem caminhar para a sua vida normal no país".

"É o que me dizem muitos. Mesmo já em La Guaira me diziam que 'a vida é para a frente'. Falei inclusive com pessoas que já tinham perdido tudo no aluvião de 1999 e que agora voltaram a perder tudo, e que me disseram com uma grande confiança e um grande sorriso que 'a vida é para a frente, vamos embora'. É incrível, mas é assim também que encontrei muitas das pessoas", disse.