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Fact Check Madeira

Será que os acidentes com carros de cesto são muito raros?

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Ontem verificou-se o despiste de um carro de cesto no Monte, que provocou ferimentos de alguma gravidade nos dois passageiros, um casal de turistas britânicos, vindo de um dos navios de cruzeiro que fizeram escala no porto do Funchal.

As notícias deste despiste, divulgado em primeira mão pelo DIÁRIO, geraram muitos comentários nas páginas dos órgãos de comunicação social na Internet e nas redes sociais. Algumas pessoas referiram que as descidas em carros de cesto constituem “uma actividade com riscos, ainda [para] mais com chuva e piso molhado”, como se verificou no dia de ontem.  Houve quem dissesse que este “não é um meio de transporte seguro” e até quem sugerisse que era de “proibir essa porcaria”, pois “só atrapalham”.

Mas também houve quem saísse em defesa desta actividade tradicional, da sua segurança e dos carreiros. “Os acidentes acontecem em qualquer trabalho”, disse um cidadão, que lembrou que “felizmente este trabalho tem seguro”. Outro garantiu que na comparação dos acidentes que se verificam em passeios a pé e nas estradas regionais, “o rácio está muito favorável aos carreiros do Monte”. Por fim, alguém elogia os “grandes carreiros”, em cuja actividade houve “dois [feridos] em 20.000 [passageiros] por ano”.

Será que os acidentes com carros de cesto são assim tão raros?

Não existe, que se saiba, um registo oficial e público ou uma compilação completa dos acidentes com carros de cesto do Monte. Pelo que para esta rubrica de Fact Check (verificação de factos), baseamo-nos nas notícias que foram publicadas nos últimos anos em órgãos de informação como o DIÁRIO, o JM e a RTP-Madeira.

Dessa recolha de dados resultou a lista abaixo indicada, que, refira-se, não é exaustiva. Está ordenada do acidente mais antigo para o mais recente.

Esta relação, que não é oficial, aponta para a ocorrência de 11 acidentes nos últimos 12 anos, a maioria dos quais sem gravidade. Neste intervalo temporal, não foram encontradas referências a acidentes mortais. Isso não prova que não tenham existido, mas apenas que não aparecem notícias de sinistros fatais.

Os comentários também falam no rácio de acidentes com carros de cesto e relativizam a ocorrência de dois feridos entre os 20 mil passageiros anuais deste meio de transporte tradicional. Tal como em relação ao número de acidentes, só indirectamente, através de notícias e outras informações disponibilizadas pelos carreiros, é possível verificar se este número de descidas corresponde à realidade. Ora, uma notícia da RTP-Madeira de Julho de 2016, que tinha como fonte a Associação dos Carreiros do Monte, indicava para cerca de 60.000 passageiros por ano.

No entanto, o número de turistas subiu muito após a pandemia e a clientela dos carros de cesto cresceu numa proporção semelhante. Através das informações prestadas em Maio de 2024 pelo carreiro Fernando Saldanha numa intervenção para alunos na Escola do Estreito de Câmara de Lobos, fica-se a saber que havia 154 carreiros, fazendo cada um normalmente 7 a 8 viagens por dia, de segunda-feira a sábado. Estes números permitem calcular cerca de 180 mil descidas por ano. Como cada carro pode transportar até três pessoas, o número de passageiros deverá andar mais próximo dos 200 mil por ano do que dos apontados 20 mil.

À luz destes dados, chega-se à conclusão que a taxa de sinistralidade dos carros de cesto do Monte é baixa e que os acidentes ocorridos na última década foram quase todos de pouca gravidade.

Numa actividade que regista “dois [feridos] em 20.000 [passageiros] por ano”, “o rácio está muito favorável aos carreiros do Monte” - Síntese de comentários no Facebook