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Nuno Markl termina rodagem do primeiro filme com humor e amor ao cinema

Foto JOSÉ SENA GOULÃO/Lusa
Foto JOSÉ SENA GOULÃO/Lusa

O argumentista Nuno Markl termina hoje, em Lisboa, a rodagem do primeiro filme como realizador, com histórias bizarras que já contou na rádio, amparado pelo humor e com toda a admiração pelo cinema e pela a cultura pop.

Ao fim de cinco semanas de rodagem, a produção de "O Homem Que Mordeu O Cão: O Filme" instalou-se num dos cais da estação de comboios de Santa Apolónia, em Lisboa, para filmar as últimas cenas, ou, como contou Nuno Markl à agência Lusa, "o grande clímax".

Para o final deixaram a história verídica que aconteceu há alguns anos no norte do país, quando um grupo de jovens, que ia de comboio para o festival Paredes de Coura, deu conta que estava uma senhora pendurada e agarrada do lado de fora da carruagem em andamento. No filme, a atriz Ana Bustorff interpretará a velha senhora que se pendurou na carruagem.

A história bizarra foi narrada numa das centenas de episódios da série radiofónica "O homem que mordeu o cão", da Rádio Comercial, e é recordada por Nuno Markl enquanto a equipa de produção prepara o cenário para a filmar.

"Eu diria que vai ser o grande clímax do filme" e uma das cenas mais ambiciosas da produção desta primeira incursão de Nuno Markl na realização, que estava a ser preparada há três anos e que o autor teimou em manter, mesmo depois de ter sofrido dois AVC (acidente vascular cerebral), em 2025.

O argumentista conta que este problema de saúde, que lhe deixou incapacidades motoras, e o processo de recuperação "serviram de argamassa" para unir no argumento todas as histórias bizarras que retirou da rubrica radiofónica iniciada em 1997.

"Tentei juntar as melhores coisas e as mais recentes. Alguns clássicos eternos, como por exemplo, a história da senhora que tentou chocar um ovo entre os seios e que consegui meter aqui no meio desta loucura toda", contou, com uma gargalhada.

Na longa-metragem, que deverá estrear-se em 2027, entra um longo elenco de atores e amigos do argumentista, como Gonçalo Waddington, Gabriela Barros, Bruno Nogueira, Ricardo Araújo Pereira, Isabel Abreu, Anabela Moreira, Daniela Melchior, Rui Melo (que é também diretor de atores), Salvador Martinha, José Raposo e Rui Mendes.

No cenário, em Santa Apolónia, Nuno Markl aguarda numa tenda da produção, onde está também o ator Rui Melo. Juntos visionam num monitor imagens de filmagens anteriores e de ensaios dos planos de hoje, sobre as quais comentam que têm "uma cena à 'Inception'", filme do realizador Christopher Nolan, ou "um daqueles 'travelling' à Scorsese".

"Andei a debicar nas minhas referências todas de muitos mais anos a ver filmes (...), desenhei muitos 'storyboards', alguns deles em casa, outros aqui nas filmagens, conversei muito com o diretor de fotografia se podia fazer isto ou aquilo e foi uma experiência muito feliz", admitiu à agência Lusa.

Com mais de um milhão de seguidores nas redes sociais, Nuno Markl tem partilhado diariamente o entusiasmo pela produção do filme e desvendado muitas das inspirações cinéfilas e populares: estão lá Nanni Moretti, Roy Scheider, Victor Fleming e Martin Scorsese.

Aos 55 anos, e com sequelas físicas deixadas pelos AVC, Nuno Markl reconhece que "o país todo precisa de mais apoio às pessoas que têm deficiência e precisa de mais acessibilidades".

Sobre esta experiência no cinema, lembrou a equipa técnica que zelou sempre "para que não caísse".

"Fez-me bem à saúde fazer isto e manter desde o início. Tenho tentado ver o sentido de humor em tudo e acho que isso ajuda muito a manter assim uma certa esperança, portanto acho que isto é possível", considerou.

Nuno Markl, nascido em Lisboa em 1971, é um dos mais conhecidas argumentistas de humor em Portugal, autor das rubricas radiofónicas "Caderneta de Cromos" e "O Homem Que Mordeu O Cão", já vertidas para livros. Trabalhou nas Produções Fictícias, na qual escreveu para Herman José e apresentou vários programas de televisão, o mais recente dos quais "Taskmaster".

Escreveu o argumento do filme "Refrigerantes e Canções de Amor" (2016), de Luís Galvão Teles, e é autor da série televisiva "1986" (2018).