O Amor à Vida
Uma melosa expressão,
Uma meiga carícia,
Que cria em nós a ilusão
D’uma paz vitalícia
É, porém, ambivalente.
Poderá ser primitiva
Da ocasião dependente
Ou reacção instintiva
Mas pode também ser brutal
E mortal ao se defender
D’uma ameaça virtual
Que possa vir a acontecer
Obriga-nos a procurar
Um sentido para a vida
E ao além irmos buscar
A explicação devida
Em termos de conservação
Apego e amor à vida
Não justificam distinção
Porque igualdade sentida
Viver não é só estar vivo
É dar sentido à existência
De ilusões estar cativo
É pura conveniência!
Asdrúbal J. C. Vieira