Pelo menos 109 mortos e 116 desaparecidos em naufrágio ao largo do Djibuti
Pelo menos 109 migrantes, incluindo 15 crianças, morreram e mais de 116 estão desaparecidos na sequência de um naufrágio na noite de 08 para 09 de outubro ao largo da costa do Djibuti, indicou hoje a ONU.
Segundo relatos de sobreviventes, o barco, que transportava 350 pessoas do Djibuti para o Iémen, virou-se perto de Guhere, a norte da cidade djibutiana de Oboque, segundo um comunicado da Organização Internacional para as Migrações (OIM).
As equipas desta agência das Nações Unidas estão no terreno juntamente com as autoridades locais para fornecer ajuda de emergência.
Segundo a OIM, as autoridades do Djibuti prosseguem as operações de busca e salvamento, enquanto "crescem os receios pelos desaparecidos".
"Esta é uma perda devastadora de vidas. Os nossos pensamentos estão com os sobreviventes e as famílias que perderam entes queridos ou permanecem sem notícias dos seus familiares", afirmou Alexandre Coissac, chefe de missão da OIM no Djibuti, citado no comunicado.
De acordo com a agência da ONU, mais de 80 pessoas, todos cidadãos etíopes, sobreviveram ao naufrágio.
A OIM está a ajudar 64 sobreviventes no seu Centro de Resposta a Migrantes de Oboque (MRC), prestando cuidados de saúde, assistência psicossocial, serviços de proteção, abrigo temporário, assistência alimentar e apoio para restabelecer contacto com as suas famílias.
Para o responsável da OIM no Djibuti, "esta tragédia é um lembrete claro dos perigos enfrentados pelos migrantes ao longo deste corredor migratório enquanto procuram oportunidades económicas".
Todos os anos, dezenas de milhares de migrantes do Corno de África viajam pelo Djibuti e atravessam o estreito de Bab el-Mandeb até ao Iémen, na esperança de chegar aos países do Golfo em busca de segurança, estabilidade e emprego, e apesar da violência no Iémen, recorda a OIM na nota.
"A pobreza, a insegurança e os crescentes impactos das alterações climáticas levam muitos a empreender esta jornada, apesar da crescente instabilidade em todo o Médio Oriente", refere ainda.
Desde 10 de setembro, mais de 20.000 movimentos de entrada para Djibuti vindos da Etiópia foram registados pela OIM.
A organização sublinhou, no entanto, que a travessia marítima "é apenas uma parte do perigo".
Os migrantes que chegam ao Iémen "enfrentam riscos de violência, detenção e detenção arbitrárias, exploração e tráfico", alertou.
"À medida que os movimentos ao longo da Rota Oriental continuam, os migrantes continuam expostos a riscos graves em todas as fases da sua viagem", disse ainda, no comunicado.
"Sobreviver à travessia marítima não significa necessariamente alcançar a segurança, especialmente em meio à insegurança e aos desafios humanitários no Iémen", considerou.
Em 2025, mais de 900 migrantes morreram ou desapareceram nesta rota, segundo o Projeto de Migrantes Desaparecidos da OIM, enquanto o número de pessoas que realizaram a viagem aumentou 18%. Outro naufrágio em março causou nove mortos e 45 desaparecidos.
A OIM referiu estar a trabalhar em estreita colaboração com as autoridades do Djibuti para ajudar migrantes e prevenir mortes no mar e em terra.
Perante as "necessidades crescentes e financiamento limitado", a OIM lançou um apelo aos doadores e parceiros para reforçarem o apoio à resposta do Djibuti, incluindo operações de busca e salvamento e assistência vital, pedindo ainda a "ampliação das vias de migração seguras para reduzir os riscos enfrentados pelas pessoas que realizam estas viagens".