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Pelo menos dois mortos no ataque ao aeroporto de Riade

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Pelo menos duas pessoas morreram hoje no ataque contra o aeroporto de Riade, indicou à agência France-Presse (AFP) uma fonte médica de um hospital local.

Uma das vítimas, indicou a fonte, era membro de uma tripulação egípcia ao serviço de uma companhia aérea saudita e a outra era um palestiniano com documentos de viagem egípcios.

Uma outra fonte, que falou à AFP sob anonimato, confirmou as mortes, bem como as nacionalidades das vítimas.

A autoridade aeronáutica saudita confirmou hoje a suspensão dos voos no aeroporto de Riade após um ataque, sem especificar a origem, mas que fonte diplomática citada pela AFP atribuiu aos rebeldes Huthis do Iémen.

No primeiro pronunciamento de Riade sobre numerosos relatos de um ataque hoje dirigido contra o Aeroporto Rei Khalid, a Autoridade de Aviação civil saudita confirmou também a existência de "vários feridos", cujo número ainda estava a ser contabilizado.

As operações foram temporariamente suspensas até que os danos sejam avaliados e a segurança das instalações esteja verificada, acrescentou a entidade.

A companhia nacional Kuwait Airways já tinha anunciado a interrupção das ligações com a capital saudita.

Fonte diplomática disse à AFP que "os Huthis estão a atacar alvos civis", especificando que um míssil atingiu as instalações do aeroporto por volta das 15:00 locais (13:00 em Lisboa).

Fonte médica citada pela agência noticiosa francesa indicou, após o ataque, que "dezenas de pessoas ficaram feridas, na maioria cidadãos sauditas", das quais cinco estavam em estado grave e foram levadas de helicóptero para unidades de cuidados intensivos.

Portugal condena os terríveis ataques dos Houthis contra aeroportos na Arábia Saudita e manifesta a sua solidariedade às famílias das vítimas, ao povo saudita e às autoridades do país. Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal, na rede social X

A Embaixada dos Estados Unidos na Arábia Saudita afirmou que "está ciente" do ataque hoje realizado contra o aeroporto de Riade e recomendou aos cidadãos norte-americanos que evitem aquela área.

Várias outras embaixadas ocidentais aconselharam o pessoal a evitar durante uma semana o aeroporto de Riade, indicou à AFP um diplomata na capital saudita.

A Embaixada da França já tinha pedido na sexta-feira aos seus cidadãos que tomem "extrema cautela" na Arábia Saudita devido aos "ataques dos Huthis nos últimos dias".

Vários órgãos de comunicação social internacionais noticiaram incêndios causados no aeroporto por projéteis dos Huthis e a evacuação do Terminal 3 após um "impacto direto" que deixou várias pessoas feridas, segundo o The Wall Street Journal.

Os Huthis, grupo aliado do Irão, ainda não se pronunciaram, apesar de terem reivindicado ataques anteriores contra a Arábia Saudita, que apoia o Governo internacionalmente reconhecido no Iémen, depois de terem imposto um bloqueio naval aos navios do reino árabe, maior exportador mundial de crude, desde julho no Mar Vermelho.

Riade anunciou hoje uma "operação em grande escala" da coligação que lidera contra os Huthis, visando "os efetivos e as capacidades" dos rebeldes, ao mesmo tempo que apoia o exército do governo internacionalmente reconhecido no Iémen.

A contraofensiva ocorre após significativos avanços militares dos Huthis no oeste do Iémen, permitindo o controlo de vastas áreas do Mar Vermelho e do estreito de Bab el-Mandeb.

Esta passagem estratégica de acesso ao Canal do Suez tem servido de alternativa ao estreito de Ormuz, que se encontra sob bloqueio do Irão desde o início da ofensiva dos Estados Unidos e Israel, em 28 de fevereiro, contra a República Islâmica.

Após anos de relativa calma na guerra civil no Iémen, a frágil trégua acordada em 2022 entrou em colapso em julho, quando os Huthis desafiaram o controlo de Riade sobre o espaço aéreo iemenita, permitindo a aterragem de um avião com representantes iranianos em Sanaa.

Os Huthis integram o chamado eixo da resistência, formado por grupos políticos e armados apoiados pelo Irão, ao lado do Hamas na Palestina, o Hezbollah no Líbano e milícias xiitas no Iraque.

Entre 2023 e 2025, atacaram navios comerciais no Golfo de Aden e Mar Vermelho, como forma de apoio ao Hamas na guerra com Israel na Faixa de Gaza.