Gigante nuclear francesa põe Níger em tribunal para recuperar mil toneladas de urânio
A gigante nuclear francesa Orano prometeu ontem continuar as ações judiciais contra o Níger e contra "qualquer pessoa que queira meter as mãos" em mais de mil toneladas que a junta militar nigerina quer vender.
Perante os deputados franceses, o presidente do conselho de administração da Orano, Claude Imauven, lembrou que tinha alertado que um carregamento de urânio tinha saído das instalações da Somaïr, em Arlit, no norte do país, anteriormente detida em 63,4% pelo grupo francês e em 36,6% pelo Estado do Níger, e este metal estará retido no aeroporto de Niamey há várias semanas.
"Parte do 'stock' da Somaïr foi transferido pela junta militar de Arlit para Niamey; pelo que sei, ainda lá está, mas não tenho mais informações", afirmou o líder da Orano, um dos maiores produtores mundiais de urânio.
A questão do urânio nigerino, há muito explorado pela Orano, está no centro da política de soberania reivindicada pela junta no poder desde 2023 neste país, que trocou as relações com França por maior aproximação com a Rússia.
O Estado nigerino anunciou em novembro a sua intenção de colocar no mercado internacional o urânio produzido, alguns meses depois de ter decretado a nacionalização forçada da Somaïr.
"Estamos prontos para continuar as nossas ações judiciais para fazer valer os nossos direitos contra o Estado nigerino, mas também contra qualquer pessoa que queira meter as mãos nestes produtos", declarou Imauven perante a Assembleia Nacional francesa, citado pela agência francesa de notícias, a France-Presse (AFP).
A Orano iniciou quatro processos de arbitragem, um dos quais resultou numa decisão a seu favor "que proibia o governo nigerino de tocar nos stocks" da Somaïr, lembrou Imauven, acrescentando que a mercadoria vale 30 milhões de euros no mercado.
A AFP conseguiu determinar, através de imagens de satélite, a chegada de 34 camiões a uma zona do aeroporto de Niamey entre 3 e 5 de dezembro.
Embora o seu conteúdo não tenha podido ser formalmente associado ao urânio nigerino, várias fontes, nomeadamente o grupo de jornalistas da África Ocidental Wamaps, especializado em notícias sobre segurança no Sahel, afirmam que se trata das mil toneladas que partiram de Arlit no final de novembro.
O seu destino permanece desconhecido, assim como o seu eventual modo de transporte, por estrada ou por via aérea, escreve ainda a AFP.