Comunidades Madeira

"Dentro de 10, 15, 20 anos eu temo muito pela nossa diáspora" devido à falta do ensino do português

Afirma o director regional das Comunidades e da Cooperação Externa, Rui Abreu, após visita a Guernsey

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Foto Arquivo/ASPRESS

O director regional das Comunidades e da Cooperação Externa, Rui Abreu, após ouvir várias pessoas durante a sua visita a ilha de Guernsey, refere que "teme" pelo futuro da diáspora devido à falta do ensino da língua portuguesa.

Eu acho que o Estado português tem de investir seriamente no ensino da língua portuguesa, não basta dizer que se anda a contratar professores, onde na realidade eles não existem. Obviamente que um professor português para vir para o estrangeiro ensinar português tem de ter condições. Rui Abreu, director regional das Comunidades e da Cooperação Externa.

Entre as condições está um salário que acompanhe o custo de vida do país para onde se desloca: "Não pode ter um ordenado idêntico ao de Portugal. E isto é fundamental porque se não, dentro de 10, 15, 20 anos eu temo muito pela nossa diáspora".

Um outro problema apontado são as deslocações que têm de ser realizada até Jersey para fazer actos consulares, acrescentando que uma ilha "com mais de 2.000 portugueses" não pode estar "abandonada".

Quando precisam de fazer actos consulares, esta é uma questão que eu acho que deve merecer atenção por parte de quem de direito. Nomeadamente através de missões consulares ou presenças consulares, seja do Consulado de Londres ao qual pertence o Consulado Honorário de Jersey ou o próprio Consulado de Jersey, que eu não sei se tem capacidade para isso. Mas o Consulado de Londres com certeza tem e tem de ter, porque não pode estar aqui uma ilha com mais de 2.000 portugueses abandonada. As pessoas precisam de tirar dias de trabalho, despesas de viagens e é de facto uma questão que mais me chamou a atenção.  Rui Abreu, director regional das Comunidades e da Cooperação Externa.

O director regional das Comunidades e da Cooperação Externa faz um balanço positivo desta primeira visita à ilha de Guernsey. "As expectativas foram largamente ultrapassadas, gostei imenso de ver como a nossa comunidade está nesta ilha", destacando o facto de não existirem "problemas sociais".

"Eu falei com imensa gente e não é uma ilha com problemas sociais, como há em muitas que nós sabemos. É uma comunidade que está bem integrada, tem ordenados de certa forma elevados, mas que são para corresponder a um custo de vida também muito elevado", conclui.