Madeira

Concelhos em falta desafiados a erguerem Monumento em Memória dos Combatentes Madeirenses

Representante da República nas cerimónias comemorativas do 104º. Aniversário da Batalha de La Lys, e do 48º. aniversário do Fim da Guerra do Ultramar e do Dia do Combatente

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Foi com “orgulho” que Ireneu Barreto disse constatar “que a Madeira tem sabido, ano após ano, manter a memória e a gratidão para com os seus filhos que tombaram na defesa da Pátria, prestando-lhes tributo de diferentes modos, e recordando-os com monumentos” ou mesmo “memoriais e ruas com o nome dos madeirenses sacrificados nos campos de batalha”. O Representante da República para a Região Autónoma da Madeira falava junto ao Monumento em Memória dos Combatentes Madeirenses, no Porto Moniz, ao sítio da Santa, por ocasião das cerimónias comemorativas do 104º. Aniversário da Batalha de La Lys, e do 48º. aniversário do Fim da Guerra do Ultramar e do Dia do Combatente.

Oportunidade para apelar aos seis concelhos que ainda não ergueram Monumento em Memória dos Combatentes Madeirenses, nomeadamente Câmara de Lobos, Ribeira Brava, Ponta do Sol, Santana, Santa Cruz e Porto Santo, “para encontrarem uma forma de lhes mostrar a gratidão e a homenagem que bem merecem”.

Nesta cerimónia militar onde também discursaram o Tenente-coronel Bernardino Laureano, presidente do Núcleo do Funchal da Liga dos Combatentes, e Emanuel Câmara, presidente da Câmara Municipal de Porto Moniz, o Representante da República enalteceu: “a Madeira é exemplar a assinalar estas datas e a manter viva a memória colectiva sobre estes eventos” que nos tempos que vivemos “têm um significado especial que vai para além da invocação histórica”. Em causa “a invasão da Ucrânia, por forças militares russas e outras sob a seu controlo, é uma das mais graves violações do Direito Internacional e em particular da Carta das Nações Unidas nos últimos tempos”.

Ireneu Barreto prevê que “quando esta guerra terminar, o cenário internacional não será o mesmo”, e a União Europeia “estará mais orientada para a defesa colectiva”. Concluiu que “há semelhança com o contexto pós I Guerra Mundial”, o pós-guerra deste conflito marcará o fim de uma ingenuidade internacional.

“Hoje, temos a ameaça de terríveis armas químicas, algumas já utilizadas, e a sombra do nuclear, que representa o prenúncio do fim da Humanidade como a conhecemos”. Acredita que não chegará a tanto, na esperança que a situação actual não seja equivalente à ingenuidade que nos caracterizava no início do século XX.

Argumentos para reforçar a importância de manter-se “a confiança nas instituições e na democracia como único sistema que não dispensa a vida humana como algo único e sagrado”.

Ainda antes de serem feitas as honras militares aos mortos em campanha, com a Deposição de Flores na Base do Monumento, a invocação religiosa e toques alusivos às cerimónias, Ireneu Barreto fez ainda referência à notícia hoje publicada no DIÁRIO sob o título ‘Isenção a ex-combatentes já dá ‘briga’ na Ponta do Sol’. Destacou o facto “da minha Junta de Freguesia” ter aprovado a ‘isenção de pagamento de taxas dos atestados, certidões e outros documentos cuja emissão seja da competência da Junta de Freguesia da Ponta do Sol, aos antigos combatentes e respectivas viúvas’. Desejou que se prossiga neste esforço por reconhecer que os ex-combatentes merecem ser devidamente recompensados.