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Madeira

Rui Marques assume "ano zero" e deixa caderno de encargos ao Governo

Presidente da Câmara reivindica nova escola, ligação rodoviária às zonas intermédias, solução para o Lugar de Baixo e intervenções na recta dos Canhas

Foto Hélder Santos/ASPRESS
Foto Hélder Santos/ASPRESS

Rui Marques classificou os primeiros dez meses de governação na Ponta do Sol como um “ano zero”, dedicado à reorganização da Câmara, mas aproveitou a sessão solene do 525.º aniversário do concelho para colocar sobre a mesa do Governo Regional um extenso caderno de encargos.

Perante o secretário regional Pedro Rodrigues, o presidente da Câmara pediu avanços numa nova escola do 1.º Ciclo para a sede do concelho, na Estrada dos Anjos, na antiga marina e na Lagoa do Lugar de Baixo, na recta dos Canhas e nas ligações rodoviárias entre a Ribeira Brava e a Calheta.

“Definimos este primeiro ano de mandato como um ano zero”, afirmou Rui Marques, explicando que foi necessário reorganizar e reestruturar os serviços municipais, rever regulamentos, definir políticas de intervenção e preparar projectos.

O autarca reconheceu que grande parte deste trabalho decorreu “nos bastidores”, sem visibilidade pública, mas considerou-o indispensável para preparar a Câmara para executar novos investimentos. “Este ano zero não foi um ano parado”, ressalvou.

Na relação com o Governo Regional, Rui Marques afastou uma lógica de confronto, mas deixou claro que a colaboração institucional não impedirá a Câmara de reivindicar os investimentos considerados necessários. “É esta a nossa posição: trabalhar com quem pode ajudar a concretizar, mas nunca deixar de defender aquilo de que a Ponta do Sol precisa”, vincou.

Entre as prioridades está a Estrada dos Anjos, cujo projecto deverá ficar concluído até ao final deste ano, seguindo-se a tentativa de celebração de um contrato-programa com o Executivo madeirense. Rui Marques recordou que a intervenção corresponde a um compromisso assumido pelo presidente do Governo Regional em 2023, sustentando que o processo não avançou até 2025 por responsabilidade do anterior executivo camarário.

O município defende também a construção de uma nova escola do 1.º Ciclo na freguesia da Ponta do Sol e quer que a futura ligação rápida entre a Ribeira Brava e a Calheta seja projectada a uma cota superior à actual via expresso. A solução, argumentou, deverá servir a Lombada, o Monte e os Canhas, em vez de se limitar a aproximar os dois extremos da ligação.

“É fundamental que esta nova infra-estrutura contribua também para aproximar as nossas populações, melhorar a mobilidade interna e criar oportunidades de desenvolvimento”, declarou.

Rui Marques reclamou ainda uma solução viável para a antiga marina do Lugar de Baixo, a requalificação ambiental da lagoa e a intervenção na recta dos Canhas até à Igreja da Piedade, com passeios e drenagem de águas pluviais.

No imediato, pediu ao Governo que intervenha nos nós rodoviários que estão a provocar congestionamentos entre a Ponta do Sol e a Ribeira Brava. “Não podemos ficar à espera da nova via rápida”, advertiu, defendendo respostas estruturais para a mobilidade na costa Sul.

O autarca adiantou ainda que prosseguem as negociações para a gestão conjunta da zona Este da antiga marina do Lugar de Baixo, com o objectivo de criar estacionamento para moradores e comércio local. Nos Canhas, a Câmara espera concluir até ao final do ano o processo relacionado com os terrenos do Parque Empresarial e a negociação com a Madeira Parques.