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Morte de migrantes leva ONU a pedir responsabilização dos EUA

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Foto AFP

O alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos defendeu, esta segunda-feira, que Washington deve ser responsabilizado pelos 23 migrantes que, desde o início do ano, morreram sob custódia dos EUA.

"Quatro pessoas morreram sob custódia das autoridades de imigração dos EUA desde junho, elevando o total para 23 mortes só em 2026. É preciso haver responsabilização por estas mortes", afirmou Volker Turk na abertura da 63ª. sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, que decorre em Genebra, Suíça.

No início de agosto, o Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE, na sigla em inglês) anunciou a morte de um cidadão salvadorenho num centro de detenção de migrantes em Nova Jérsia.

O ICE tornou-se um símbolo dos abusos desta política de deportação em massa, amplamente considerada particularmente brutal.

Turk manifestou ainda preocupação pelos "planos para equipar os agentes de imigração com luvas de choque elétrico poderem aumentar a violência associada às intervenções".

De acordo com dados das organizações não-governamentais Human Rights Watch (HRW) e Médicos pelos Direitos Humanos, aproximadamente 50 detidos morreram nos centros de detenção do ICE desde o regresso de Donald Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025.

O Presidente dos EUA alargou o número de pessoas elegíveis para deportação, visando especificamente aqueles que beneficiaram de proteções legais ao abrigo de administrações anteriores, que lhes permitiram viver e trabalhar nos Estados Unidos devido ao risco de perseguição nos países de origem.

A administração dos EUA afirmou que, embora não possa devolver estes indivíduos aos países de origem, não está proibido de os enviar para países terceiros.

De acordo com uma investigação da agência de notícias France-Presse (AFP), os Estados Unidos ofereceram acordos no valor de milhões de dólares e brandiram a ameaça de restrições de vistos para encorajar países terceiros, particularmente em África, a aceitar deportados, sejam africanos ou de outros continentes.

"Exorto os Estados Unidos a cessarem o envio de pessoas de volta para locais onde possam sofrer danos irreparáveis, incluindo o Haiti, e a garantirem que o devido processo legal seja respeitado em todas as deportações para países terceiros", referiu Turk.