DNOTICIAS.PT
País

Ministro da Economia admite que inflação é um "fator que está a correr mal"

None

O ministro da Economia admitiu hoje que a inflação é um "fator que está a correr mal", mas salientou que "há vários indicadores positivos", alertando que tem que se olhar "para a floresta e não apenas para uma árvore".

"A situação económica portuguesa tem um fator que está a correr mal, que é a inflação, por causa de custos dos combustíveis, por causa da guerra ou das guerras, e isto está a afetar o mundo todo, também Portugal", admitiu Manuel Castro Almeida, no Porto, à margem do Fórum AICEP 2026.

O Instituto Nacional de Estatística divulgou hoje que a taxa de inflação aumentou para 3,6% em setembro, em termos homólogos, contra 3,3% no mês anterior, novamente impulsionada pelo preço dos combustíveis.

Confrontado com o aumento da inflação anunciado hoje, o titular da pasta da Economia alertou que não se pode "fazer de conta que só existe o problema da inflação, porque a inflação é a parte que corre menos bem na economia portuguesa".

"A par da inflação que não corre bem, o aumento de preços que não corre bem, há uma economia que está a crescer (...). Os salários estão a crescer acima da inflação, ou seja, os salários reais estão a crescer. Há vários indicadores positivos, as exportações estão a crescer, o turismo está a melhorar, os impostos estão a baixar, há vários indicadores positivos", enumerou.

E alertou: "Insisto sempre, há um que corre mal, e eu estou disposto a falar desse que corre mal, mas temos de olhar para a floresta toda e não apenas para uma árvore", disse.

Sobre as consequências do aumento da inflação e do aumento do preço dos combustíveis, Castro Almeida garantiu que o Governo está a "procurar tomar medidas para aqueles setores mais estratégicos que podem influenciar mais o custo dos materiais no supermercado, o custo dos produtos no supermercado".

"É inevitável ter o agravamento dos preços dos combustíveis, isto existe em toda a Europa. Procuramos tomar medidas que vão dirigidas a fazer com que o aumento dos combustíveis se reflita o menos possível nas prateleiras dos supermercados", afirmou.

No entanto, Castro Almeida apontou um limite para as medidas a tomar: "Vamos procurando modular as medidas, sempre com um limite que é de não pôr em causa o equilíbrio das contas públicas", avisou.

Sobre a diferença de preço dos combustíveis entre Portugal e Espanha, Castro Almeida referiu que o país vizinho "é dissonante" nesta questão porque "tem tradicionalmente uma carga fiscal sobre os combustíveis mais baixa do que em Portugal", salientando que "as ajudas que Portugal está a dar no seu conjunto são equiparadas àquilo que se passa nos demais países europeus".

Ainda sobre limites orçamentais, o ministro da Economia lembrou que o seu colega de Governo com a pasta das Finanças "já explicou que vai procurar que no Orçamento de 2027 volte a haver contas certas, ou seja, não haja deficit orçamental".

"Dentro das receitas disponíveis, o Estado está cá para ajudar sobretudo quem mais precisa (...) Já disse que dentro dos limites do equilíbrio orçamental, o Governo está sempre atento para procurar intervir em situações pontuais que procurem ajudar a não amplificar para as prateleiras dos supermercados o aumento dos preços da gasolina nas bombas", reafirmou.