Ministro da Economia avisa que portugueses devem "fazer tudo" para poupar combustíveis
O ministro da Economia insistiu hoje que as famílias e empresas portuguesas devem "fazer tudo" para poupar combustíveis, considerando que, atualmente, é a única maneira de se conseguir baixar os preços.
Em declarações aos jornalistas à margem de uma reunião dos ministros da Economia da União Europeia (UE), em Bruxelas, Manuel Castro Almeida frisou que há atualmente um "problema sério com os preços da energia em todo o mundo" e, "como sempre acontece, quanto maior for a procura, os preços tendem a aumentar, se a procura baixar, os preços tendem a diminuir".
"Por isso, quanto menos combustíveis forem consumidos, mais isso facilita o abaixamento dos preços. Para já, nós estamos dependentes das decisões individuais das famílias, das pessoas, das empresas, que têm de fazer tudo para evitar o consumo, como forma de baixar os preços", apelou.
Confrontado com o facto de haver pessoas que não têm alternativa à utilização de combustíveis, o ministro respondeu: "Todos somos realistas".
"Se não há alternativa, não há alternativa, mas, se há alternativa, o conselho que damos é de que as pessoas procurem consumir menos, se puderem escolher. Se não há hipótese de escolha, não há nada a fazer", disse.
Questionado se o atual aumento do preço dos combustíveis não se deve mais a uma ausência de oferta -- provocada pela guerra no Médio Oriente e o encerramento do Estreito de Ormuz -- do que a um aumento da procura, Castro Almeida contrapôs que as mudanças no preço dependem sempre da oferta e da procura.
No caso do atual aumento do preço dos combustíveis, o ministro reconheceu que há atualmente menos oferta, mas, "em Portugal, recentemente, houve mais procura".
"Ora, se em todo o mundo houver menos oferta, mas se a procura diminuir também, isso tem reflexo nos preços. Os preços são sempre um resultado da oferta e da procura. Há menos oferta, logo seria normal, seria desejável que haja menos procura, menos consumo", disse, reforçando que, "se há menos oferta e o consumo se mantém, inevitavelmente os preços vão subir".
"Portanto, é razoável recomendar às pessoas que evitem todos os consumos desnecessários", disse.
Questionado se o Governo não tem preparado um plano de contingência, Castro Almeida considerou que "não vale a pena assustar as pessoas" e voltou a apelar a que cada cidadão reflita sobre o seu consumo de combustíveis.
"As pessoas devem assumir, nas suas reflexões em casa, como é que nós podemos evitar custos de gasolina desnecessários. Os que são inevitáveis, são inevitáveis. Se forem evitáveis, vamos evitá-los, como forma de fazer baixar os preços. Esse é o melhor plano de contingência: colocarmos nas mãos da consciência dos portugueses. Esperamos que isso seja suficiente", afirmou.
Esta segunda-feira, a ministra do Ambiente e da Energia, Maria da Graça Carvalho, já tinha alertado que o consumo de combustíveis tem subido "valores elevados" e defendeu que é preciso poupar, considerando que os apoios devem ser canalizados para quem precisa.
Já na quarta-feira, a governante assegurou que Portugal "está muito bem" quanto às reservas de combustível, afastando motivos de alarme quanto à sua escassez num momento em que em França há postos com alguns produtos em falta.
"Nós estamos muito bem nas nossas reservas. Em geral, nos combustíveis líquidos, temos 92 dias, o recomendado é 90. No 'jet fuel', tivemos um aumento de 3% no consumo até ao fim de agosto, mas conseguimos ter mais 18% de reservas", disse a ministra do Ambiente à margem da assinatura de um protocolo entre a Câmara Municipal de Almada e a EPAL.