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Madeira

Media dão pouca visibilidade à economia social

Maria João Ruela defende mais dados, protagonistas e histórias para mostrar o impacto do sector

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A economia social precisa de comunicar melhor aquilo que faz e o impacto que produz. O alerta foi deixado hoje por Maria João Ruela, assessora do gabinete do ex-Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, no painel ‘A Importância dos Media para a Economia Social’, integrado no 5.º Congresso Mais Social.

A oradora partiu de uma pesquisa sobre a presença da economia social na comunicação social para apontar uma cobertura muitas vezes marcada por situações negativas, de crise ou de conflito.

"Fazendo esta busca mais geral, sem saber aquilo que vamos procurar, as notícias não são nada positivas", afirmou.

Para Maria João Ruela, uma das dificuldades está também na forma como o próprio sector se apresenta aos media. "Não se sabe ao certo o que é a economia social, quem são as pessoas que podem falar sobre ela, quem são os protagonistas, quem são os comentadores ou até os porta-vozes do sector", referiu.

A falta de dados actualizados, estudos e informação disponível dificulta, segundo a oradora, a capacidade de os jornalistas conhecerem e explicarem a dimensão e o impacto da economia social. O sector, lembrou, tem um peso relevante no emprego e na economia, mas continua muitas vezes associado apenas à assistência ou à caridade.

"Comunicar o que quer que seja é contar uma história, encontrar uma narrativa", afirmou, defendendo que as organizações devem saber transmitir os seus resultados através de dados, histórias de vida, boas práticas, inovação e projectos que possam ser replicados.

Mostrar o impacto é também, segundo Maria João Ruela, uma forma de mobilizar a sociedade, reforçar a transparência na utilização de recursos públicos e privados, atrair voluntários, talento e filantropia e contribuir para a definição de políticas públicas.

A relação entre o sector e os media está, contudo, condicionada pelas próprias mudanças na comunicação social. Menos recursos nas redacções, maior rapidez na produção de conteúdos, crescimento das redes sociais e necessidade de comunicar para várias plataformas alteraram o trabalho jornalístico.

Neste contexto, defendeu que as organizações sociais devem investir na transformação digital e na literacia de dados, mas também preparar as suas equipas para questões de privacidade e ética, sobretudo quando comunicam sobre crianças e outros públicos vulneráveis.

Maria João Ruela chamou ainda a atenção para a necessidade de adaptar a comunicação aos diferentes públicos e canais. A imprensa regional, a rádio, os media digitais e as redes sociais podem ter formas distintas de abordar os temas sociais.

No final, deixou um desafio às organizações do sector: definir com clareza o que querem comunicar, qual a história que pretendem contar e onde a querem contar, para que o trabalho desenvolvido deixe de ser pouco visível e passe a ter maior presença no espaço público.