Madeira utiliza drones para mapear áreas florestais com alta precisão
Após o incêndio rural de agosto de 2024, o Governo da Madeira adquiriu ferramentas de alta precisão, nomeadamente drones profissionais, para mapear áreas florestais com "níveis de detalhe antes inatingíveis", indicou o Instituto das Florestas e Conservação da Natureza.
"Este investimento vem complementar os meios aéreos não tripulados já existentes e revelar-se-á estratégico para reforçar substancialmente a capacidade de resposta na monitorização, recolha de dados geográficos e avaliação das áreas de intervenção", refere o instituto em nota enviada à Lusa.
Na sequência do incêndio que lavrou na ilha entre 14 e 26 de agosto de 2024, o Instituto das Florestas e Conservação da Natureza (IFCN) recorreu também à utilização de drones para ensaiar o lançamento de sementes de plantas em áreas de difícil acesso.
A intervenção decorreu no perímetro florestal do Lombo do Mouro, no concelho da Ribeira Brava, perto da zona onde o incêndio deflagrou, um local considerado "representativo dos desafios ecológicos e topográficos de recuperação pós-fogo".
O IFNC testou a utilização de "bombas de sementes" para acelerar a regeneração de áreas inacessíveis, mas as primeiras conclusões indicam que o modelo original de bombas esféricas é inviável devido às "exigentes condições topográficas, climáticas e bióticas" da zona.
Por isso, o modelo foi redesenhado, centrando-se agora em matrizes em formato de disco, no pré-tratamento das sementes e na proteção física das áreas, considerada essencial para garantir a viabilidade técnica e o sucesso das futuras operações de sementeira.
O Instituto de Florestas e Conservação da Natureza procedeu já à instalação de 2.746 metros de vedação e de três portões nas zonas afetadas pelo incêndio no Paul da Serra, num investimento de cerca de 69 mil euros.
"Mais do que uma barreira física, esta infraestrutura revelou-se estrutural e indispensável à proteção dos espaços em recuperação, travando o impacto do pastoreio não ordenado e garantindo a viabilidade das ações de restauro florestal e da regeneração natural", refere a nota.
A autoridade regional adianta ter promovido também "campanhas intensivas" de recolha de sementes autóctones, que foram "fundamentais para salvaguardar o património genético regional e assegurar a capacidade de resposta" ao nível das sementeiras.
Em relação aos novos drones profissionais, adquiridos ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência, o IFNC explica que estão equipados com câmaras térmicas, multiespectrais, fotogramétricas e sensores de varrimento laser, o que permitirá mapear a cobertura florestal com elevada precisão.
O incêndio de agosto de 2024 lavrou durante 13 dias consecutivos e percorreu uma área de 5.116 hectares, entre os concelhos da Ribeira Brava, Ponta do Sol, Câmara de Lobos (na zona oeste) e Santana (na costa norte), onde atingiu a cordilheira central, sendo que cerca de 84% da superfície ardida possui declives iguais ou superiores a 50%, localizados em encostas acentuadas e zonas de muito difícil acesso.
O recurso a drones no processo de restauro ecológico está, por isso, a ser avaliado e testado pelas autoridades regionais.
O fogo consumiu também 139 hectares de floresta laurissilva, que é património mundial da UNESCO e ocupa um total de 15.000 hectares.
O combate envolveu mais de mil operacionais e dois aviões Canadair, acionados através do Mecanismo Europeu de Proteção Civil, mas não houve registo de feridos ou destruição de casas e infraestruturas públicas essenciais.
O IFNC diz ter mobilizado uma "resposta progressiva e sustentada" no terreno logo após o incêndio, orientada para a recuperação imediata das áreas afetadas, mas também para o "reforço estrutural da resiliência dos ecossistemas, das paisagens florestais e da capacidade regional de prevenção e resposta a futuros incêndios".
"O trabalho desenvolvido tem assentado numa abordagem integrada, combinando intervenções de estabilização e controlo da erosão, recuperação e reconversão florestal, proteção das áreas em regeneração, recolha e preservação de sementes autóctones, monitorização tecnológica, reforço dos meios humanos e desenvolvimento de novos instrumentos de planeamento e gestão integrada do fogo rural", acrescenta.