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Governo Regional Madeira

Governo Regional prepara transferência de 30 altas problemáticas para as IPSS

O SESARAM tem cancelado recorrentemente cirurgias por falta de camas para internar os doentes

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O presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, anunciou que cerca de 30 pessoas actualmente com alta clínica que ocupam uma cama nos hospitais Dr. Nélio Mendonça ou dos Marmeleiros deverão ser transferidas para instituições particulares de solidariedade social (IPSS) já a partir desta semana, numa tentativa de aliviar a pressão sobre as unidades de saúde e evitar o cancelamento de cirurgias devido à falta de camas, como tem acontecido.

"Nós não vamos pôr ninguém na rua", afirmou o líder do Executivo, reconhecendo que a lotação hospitalar constitui actualmente um problema transversal aos sistemas de saúde e que também afecta a Madeira.

A decisão de financiamento dessas transferências deverá ser tomada ainda hoje em Conselho de Governo.

Miguel Albuquerque explicou, à margem da visita ao Centro de Saúde de Machico, que a solução passa, numa primeira fase, por reforçar o recurso às unidades de apoio social, nomeadamente às IPSS. Segundo Albuquerque, estas instituições conseguem proporcionar condições adequadas de acolhimento a um custo significativamente inferior ao da permanência hospitalar.

"O custo de uma pessoa no hospital anda à volta de 110 euros por dia, nas unidades IPSS anda à volta de 62", afirmou.

O Governo Regional está, por isso, a negociar com as IPSS a disponibilização de novos lugares. A intenção é concretizar, já esta semana, a colocação de cerca de 30 pessoas atualmente nos hospitais.

Ainda nesse âmbito , o presidente do Governo voltou a lembrar as 173 novas camas em lares que deverão ser disponibilizadas até ao final de Setembro, reforçando a resposta existente.

Miguel Albuquerque recordou que estão em construção seis novos lares, cujo reforço da capacidade deverá contribuir para resolver o problema das altas hospitalares prolongadas.

Além da resposta através das IPSS e dos novos lares, o Governo Regional está a preparar, conforme já anunciado, novas soluções de acolhimento em estruturas públicas. Entre os projectos está a adaptação da antiga escola da Ponta do Parque para criar uma unidade de acolhimento.

Também o Centro de Saúde do Seixal poderá vir a acolher doentes, aproveitando espaços actualmente subutilizados. Segundo Albuquerque, os levantamentos e projectos para estas duas soluções já estão a ser preparados.

Questionado sobre os prazos para a concretização destas unidades, Albuquerque explicou que dependerão dos procedimentos administrativos e legais necessários à realização das obras. "Para fazer uma obra hoje é preciso um conjunto de procedimentos e de burocracias que temos de cumprir, sob pena de sermos julgados pelo Tribunal de Contas", justificou.

Urgências suspendem visitas devido à elevada afluência

SESARAM justifica suspensão com 51 doentes à espera de internamento

Ontem, ao final do dia, estavam 45 doentes no Serviço de Urgência do Hospital Dr. Nélio Mendonça a aguardar vaga para internamento, situação que, como o DIÁRIO noticiou, levou à suspensão das visitas a tais doentes.

Muitos destes constrangimentos são decorrentes do elevado número de altas problemáticas, cujos números desta semana apontam para 245 casos nos hospitais Dr. Nélio Mendonça e dos Marmeleiros, os dois com capacidade de internamento. No total, nas várias unidades do Serviço de Saúde da Região contam-se 518 altas problemáticas.

Centro de Saúde de Machico com 50% de energia renovável

Na visita ao Centro de Saúde de Machico, para se inteirar das obras ali realizadas, o presidente do Governo Regional reforçou a importância da implementação de medidas de melhoria energético.

Esta unidade de saúde beneficiou de uma intervenção na estrutura de fornecimento de energia e no sistema de ar condicionado, bem como a instalação de painéis solares.

Segundo Miguel Albuquerque, a capacidade instalada permite que cerca de 50% da produção energética do Centro seja assegurada através de fontes renováveis, traduzindo-se numa poupança significativa nos custos de energia do funcionamento da unidade. Trata-se de um investimento ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) na ordem dos 2,2 milhões de euros (com IVA incluído).

Albuquerque considerou que a intervenção foi "muito importante" para garantir o funcionamento do centro e melhorar as condições proporcionadas aos profissionais e utentes, destacando em particular a importância do ar condicionado para o desempenho dos profissionais de saúde.

O governante confirmou ainda que o equipamento de raio-X previsto para os centros de saúde com serviço de urgência já está instalado.