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Altas problemáticas: um problema essencialmente social

Desde há longos anos que se fala nas altas problemáticas nas urgências do Hospital, mas a verdade é que não tem existido vontade política para resolver este problema que é essencialmente social.

Se é verdade que uma pequena parte das pessoas são deixadas de propósito no hospital, a esmagadora maioria não tem apoio de ninguém, muitas vezes nem família tem. Ao longo dos anos conheci muitos casos destes e já tive contacto com casos concretos de pessoas sós, e outras, em que os familiares não têm o mínimo de condições para cuidarem devidamente dos seus parentes em casa.

A verdade é que estas pessoas precisavam de ter um espaço condigno onde possam receber o apoio médico e pessoal que precisam de ter. Um hospital intermédio ou um lar especializado que cuidasse destes seres humanos com a dignidade que merecem.

Dizer que as famílias os abandonam, e ficam com o dinheiro da sua reforma, nalguns casos até pode ser verdade, mas tenho conhecimento que os doentes, desde que fiquem a ocupar uma cama num hospital/lar, passam a transferir a sua reforma para essa instituição.

Muitas vezes faz-se confusão com as pessoas que estão mesmo doentes e precisam de ocupar uma cama de um hospital, com um acompanhamento médico especializado para a sua situação, com as outras que apenas precisam de estar em algum lugar decente com o devido acompanhamento enquadrado nos cuidados continuados e com o apoio social que todo o ser humano merece.

É urgente, há muito tempo, resolver este problema, criando um hospital de retaguarda para as situações mais urgentes e integrando as pessoas que precisam de apoio social nos locais próprios para o efeito. Adiar eternamente esta questão, que hoje chega a ser um flagelo, é não apostar em apoiar as pessoas que mais precisam quando estão no outono ou no inverno das suas vidas.

Devia ser aproveitada a oportunidade da abertura próxima do novo hospital para perspetivar para o Hospital Nélio Mendonça a solução futura para este problema. Dá para dividir em duas alas, uma hospitalar e uma de Lar Social para Seniores. Sinceramente, não entendo porque não existem debates sobre como aproveitar as infraestruturas que temos para tirar o máximo aproveitamento das mesmas sem muito acréscimo de encargos.

Ter pessoas que precisam de apoio a esperar pelo mesmo em macas, sem o mínimo de condições, correndo todos os riscos, e responsabilizar apenas as famílias é desumano, até porque nós sabemos as carências habitacionais que existem e as dificuldades reais de muitos familiares não poderem mesmo apoiar os seus parentes. Se o problema é o dinheiro das reformas ficar com quem cuida, regulamente-se essa situação e assim acaba-se com qualquer oportunismo que possa existir.

Esta é uma situação demasiado urgente que devia passar para a agenda política até as soluções serem encontradas em definitivo. Tanto debate nesta terra sobre coisas tão “desinteressantes”… Era bom que se pensasse mais nas pessoas mais frágeis e, sobretudo, as respeitássemos, porque muitas delas já foram ativas e descontaram para terem direitos quando necessitassem. A Segurança Social também tem uma palavra a dizer e pode influenciar o desfecho positivo desta situação que de tão precária merece a atenção de todos os intervenientes.