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Madeira

"Recuso lições de humildade"

Deputado socialista madeirense, Carlos Pereira, reage às crítica feitas hoje pelo secretário regional do Turismo, Ambiente e Cultura sobre a escalada de preços das viagens

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"Recuso, naturalmente, lições de humildade. O secretário deve concentrar-se em fazer o seu trabalho. Para começar, ainda não mexeu uma palha para pressionar o seu Governo da República a implementar integralmente a lei aprovada, de modo que os residentes suportem, na prática, no máximo 79 euros numa viagem de ida e volta, com recurso às agências de viagens. Entre tantas outras aldrabices da República, esta é mais uma que o secretário apadrinha hipocritamente".

É desta forma que o deputado socialista madeirense, Carlos Pereira, reage às crítica feitas hoje pelo secretário regional do Turismo, Ambiente e Cultura sobre a escalada de preços das viagens entre o Continente e a Madeira, assunto que o DIÁRIO abordou na sua edição de hoje.

"Passagens nunca estiveram tão caras como agora por causa da ausência de tecto"

Esse é o entendimento de Eduardo Jesus que considera que os deputados Carlos Pereira e Francisco Gomes devem ter "a humildade de reconhecer o erro e de promover a sua correcção"

Ricardo Miguel Oliveira , 28 Setembro 2026 - 09:15

Esta manhã, em declarações à TSF,  Eduardo Jesus considerou que as passagens nunca estiveram tão caras como agora por causa da ausência de tecto, culpando taxativamente os deputados Carlos Pereira e Francisco Gomes pelo facto, sugerindo que tivessem "a humildade de reconhecer o erro e de promover a sua correcção".

Para Carlos Pereira, as declarações do governante mostram que "há uma diferença entre quem defende os madeirenses e procura fazer com que paguem menos do seu bolso e quem, do alto do seu ressentimento, parece mais preocupado com as pretensões do seu amigo José, e outros amigos de salão,  do que com as dificuldades de quem tem de pagar a passagem". "Não seria mais avisado que um governante capaz e responsável se concentrasse no que realmente interessa aos madeirenses?'", questiona, sublinhando que "a nova lei protege os madeirenses e garante pagamento direto de 79 euros com as agências de viagens, não diminui o turismo português como ameaçou o seu amigo, e amplificou o Secretário e obriga o Estado a controlar o mercado e evitar especulação".

Julga que se o governante está contra isto deve apresentar uma proposta para mudar a lei e explicar aos madeirenses "que quer continuar a tramá-los como fez durante 10 anos, numa traição que ainda não explicou a ninguém".

Façamos então contas grosseiras, à Eduardo. Entre 2015 e 2025, terão existido mais de dois milhões de processos de mobilidade entre a Madeira e o Continente. Se 10% desses processos tiverem ultrapassado o teto, com um excedente médio de 100 euros, estamos a falar de 20 milhões de euros pagos pelos madeirenses. Que tal, então, um bocadinho de humildade para pedir desculpa por ter defendido um modelo que penalizou os madeirenses? Quanto é que entende que deve ser devolvido às famílias pela «pipa de massa» que tiveram de pagar por não terem tido um secretário à altura da defesa dos seus interesses? Carlos Pereira

O parlamentar acusa ainda o secretário regional de confundir "a causa com a sequência para dizer que as tarifas estão mais caras num contexto de subida vertiginosa do custo de vida e dos combustíveis não pode dar lições de nada a ninguém". "O facto de uma coisa acontecer depois de outra não significa que tenha sido causada por ela. Dizer «as passagens subiram depois da lei, logo foi a lei que as fez subir» é confundir sequência com causa. É a falácia post hoc", refere

Mais, salienta que "num contexto de escalada dos preços dos combustíveis e de inflação alimentada pelas guerras, inventou a história de que as tarifas aéreas aumentam por causa do Mecanismo de Continuidade Territorial, uma lei criada para proteger os madeirenses". E defende que "para comparar preços com seriedade e sem enganar ninguém, é preciso ter em conta a época do ano, a antecedência da compra, os lugares disponíveis e os custos dos combustíveis e de outros factores que pesam na aviação". Lembra que na Grécia e na Irlanda, por exemplo, os bilhetes para voos subiram 16% e 14% respectivamente em Agosto face ao mês homologo, pede "decoro" ou então que seja mudadada a lei da mobilidade "e, pela tese do homem do governo, talvez também baixemos o custo de vida e os combustíveis que não param de subir".

Na reacção enviada ao DIÀRIO, Carlos Pereira deixa um desafio:

Se agora quer os tetos de volta, apesar de o PSD-Madeira ter votado a favor deles, numa salganhada hipócrita, apresente uma proposta concreta para repor os 400 euros. Eu estarei lá para votar contra. Mas tenha a coragem de assumir a proposta perante os madeirenses. Não esconda o rabinho entre as pernas: diga que quer que sejam os madeirenses a pagar o valor acima do teto, como fez durante 10 anos, tirando dinheiro dos madeirenses. Carlos Pereira