O arborismo madeirense
A ideia de que as árvores e jardins servem para ornar uma cidade, para as colocar mais bonitas é, hoje em dia, um quase acessório para o real papel e importância das mesmas num mundo com cada vez mais extremos térmicos. Existem demasiados negacionistas climáticos e é da responsabilidade dos nossos governos constatarem os factos e atuarem sobre os mesmos. É tão difícil sair do óbvio, que custa a crer que algumas coisas não sejam implementadas de raiz.
Quer queiramos, quer não, são as cidades que têm de se revelar à volta da natureza, das árvores, e não o contrário. Que a Madeira tem o fetiche do cimento e do alcatrão, já nós sabemos, mas essa área preta, ao sol, emana um calor de tal forma que qualquer pessoa sabe o difícil que fica suportar essa temperatura. Basta observar uma qualquer rua no Funchal. Carros estacionados? À sombra das árvores. Onde é que as pessoas optam por atravessar as ruas? Onde está sombra, quase sempre sobre as árvores. Nós é que temos de criar as tubagens, os passeios, de forma a não se estragarem, mas usufruindo dos serviços das árvores. Está cientificamente comprovado que jardins e árvores melhoram imenso a qualidade de vida e o bem-estar das pessoas. Temos bons exemplos aqui na Madeira. Veja-se, por sua vez, a rua de Delonix regia junto ao campo da Ribeira Brava cuja intervenção inicial levaria ao seu abate. A opinião e peso popular fez com que os governantes agissem de outro modo, alterando o projeto e veja-se o resultado atual, absolutamente fantástico e útil! Cada rotunda sem uma árvore de copa larga, é uma rotunda desperdiçada, toda a avenida de alcatrão preto exposta ao sol é uma oportunidade perdida para arrefecer o ar e proporcionar bem-estar aos madeirenses. Esta classe política está feliz com o calor que cada vez mais dura porque só vêm dinheiro à frente e turismo. Para eles está tudo bem! Mas não! Primeiro estão os madeirenses, a sua qualidade de vida e uma cidade mais verde e arborizada que é o caminho de toda a Europa. Vão a Espanha, vão ao Rio e vejam, saiam do seu “buraco” e aprendam que não somos assim tão diferentes ou especiais. Não há má vontade, mas há falta de vontade e precisamos de pessoas que pensem os espaços verdes como pontos fulcrais e centrais do desenvolvimento da urbe, não como adorno ou como um “faz trocos” para as empresas de construção civil.
João Freitas