Donativo da Ribeira Brava ajuda a pagar despesas a 55 instituições
Banco Alimentar da Venezuela recebeu cinco mil euros angariados na Festa Luso-Venezuelana e apoia milhares de pessoas afectadas pelos sismos
O presidente da Câmara Municipal da Ribeira Brava, Jorge Santos, entregou cinco mil euros ao Banco Alimentar da Venezuela, verba angariada durante a Festa Luso-Venezuelana, iniciativa organizada pelo município em parceria com a empresa Diário de Notícias.
O apoio permitirá reforçar a operação de uma instituição que trabalha directamente com 55 organizações sociais e que, após os sismos de 24 de Junho, passou a apoiar de forma recorrente entre 15 mil e 16 mil pessoas.
Entre os beneficiários encontram-se cerca de dez mil cidadãos acolhidos em abrigos e acampamentos provisórios depois de terem perdido praticamente tudo.
“Este apoio é muito útil porque também precisamos de dinheiro para pagar os carros e os camiões que transportam a comida. Não basta que os donativos cheguem ao Banco Alimentar. O mais importante é garantir que saem daqui e chegam às pessoas que verdadeiramente precisam”, explicou a presidente do Banco Alimentar da Venezuela, Marienela Fernandes, uma lusodescendente, do Campanário.
Antes dos sismos, a instituição recolhia excedentes provenientes da agricultura, da indústria e dos supermercados, procedendo depois à sua organização e distribuição através de entidades sociais. A emergência obrigou a alargar a resposta a medicamentos, material médico, roupa e outros bens essenciais.
O Banco Alimentar da Venezuela tem apenas três anos de actividade, mas já está presente em 13 estados do país. A sua criação foi inspirada na Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares, depois de Marienela Fernandes ter conhecido o funcionamento do Banco Alimentar de Lisboa durante o período em que estudou no ISEG.
“Ajudar o Banco Alimentar significa ajudar imediatamente 55 organizações sociais”, sublinhou a responsável, destacando o efeito multiplicador de cada donativo. A rede abrange instituições dedicadas a crianças, idosos, pessoas sem abrigo, doentes oncológicos, educação e saúde mental, incluindo entidades privadas e serviços públicos.
Marienela Fernandes confirmou que este foi o primeiro apoio monetário recebido de Portugal ou da Madeira desde os sismos.
A responsável aproveitou a visita de Jorge Santos para lançar um apelo a empresas, associações e particulares interessados em conhecer e apoiar o trabalho desenvolvido pela instituição.
De acordo com a presidente, entre 30 mil e 40 mil pessoas ficaram sem casa na sequência dos sismos. Embora muitas já tenham abandonado os espaços de acolhimento temporário, milhares continuam dependentes de ajuda regular enquanto aguardam uma solução habitacional e o regresso a alguma normalidade.