Ribeira Brava foi a primeira entidade da Madeira a apoiar Banco Alimentar
Jorge Santos entregou cinco mil euros a uma instituição que serve 55 organizações e apoia regularmente até 16 mil pessoas
A Ribeira Brava e os diferentes parceiros que organizaram a Festa Luso Venezuelana foram as primeiras entidades da Madeira a entregar um apoio financeiro ao Banco Alimentar da Venezuela desde os sismos de 24 de Junho.
O donativo de cinco mil euros, angariado na Festa Luso-Venezuelana, foi entregue oficialmente pelo presidente da Câmara Municipal, Jorge Santos, à presidente da instituição, Marianela Fernandes, luso-descendente com raízes no Campanário.
A iniciativa solidária foi organizada pelo município em parceria com a empresa Diário de Notícias e outros parceiros. Embora a verba pudesse ter sido enviada através de uma transferência bancária, Jorge Santos defendeu que a deslocação permitiu conhecer o destino do dinheiro e compreender a dimensão da resposta desenvolvida no terreno.
“O donativo podia ser entregue de diversas maneiras, mas a presença também conta. A solidariedade também se vê aqui”, afirmou o autarca. Jorge Santos quis perceber a quem chega o apoio, como é canalizado e qual o trabalho necessário para transformar os donativos numa resposta efectiva às populações.
A visita às instalações permitiu-lhe constatar que existem alimentos disponíveis, mas faltam meios para assegurar toda a cadeia logística, desde a recepção e separação dos produtos até ao seu acondicionamento, transporte e distribuição.
“Basta olhar à nossa volta para perceber que existem muitos alimentos. Agora é necessário assegurar toda a logística para que cheguem às pessoas”, observou. O autarca considera, por isso, que os donativos financeiros representam actualmente a forma mais eficaz de apoiar a instituição.
O Banco Alimentar da Venezuela trabalha com 55 organizações sociais e presta auxílio recorrente a cerca de 15 mil a 16 mil pessoas. Depois dos sismos, alargou a sua actividade à recolha e distribuição de medicamentos, material médico, roupa e outros bens essenciais.
Marianela Fernandes explicou que os cinco mil euros serão importantes para pagar os veículos e camiões utilizados na distribuição. “Não basta que as doações cheguem ao Banco Alimentar. O mais importante é garantir que saem daqui e chegam às pessoas que verdadeiramente precisam”, sublinhou.
O Banco Alimentar estima que entre 30 mil e 40 mil pessoas tenham ficado sem casa. Cerca de dez mil continuam a necessitar do apoio prestado através de abrigos e espaços de acolhimento temporário.
O edil mostrou-se satisfeito por a Ribeira Brava ter sido a primeira entidade madeirense a prestar este apoio, mas lamentou que ainda não tenham surgido outros contributos financeiros.
“Fico satisfeito e triste ao mesmo tempo. Satisfeito por termos tido esta iniciativa e esta atenção, mas triste por não haver mais apoios, porque a comunidade é enorme”, declarou.
O presidente da Câmara recordou ainda a dívida de gratidão da Madeira, e particularmente da Ribeira Brava, para com os emigrantes. “A Ribeira Brava deve muito à Venezuela e à nossa comunidade. Sinto orgulho por termos sido os primeiros”, concluiu.