DNOTICIAS.PT
Madeira

"Precisamos de políticas públicas com coragem"

Padre Marcos Pinto defende um sector social menos assistencialista e mais autónomo

None

"Precisamos de governantes e de políticas públicas com ousadia, coragem e determinação." O apelo foi deixado esta tarde pelo padre Marcos Pinto, na abertura da 5.ª edição do Congresso Mais Social, que decorre no Museu da Imprensa da Madeira, em Câmara de Lobos.

Na intervenção, o responsável da Casa São José defendeu uma mudança de paradigma na Economia Social, considerando que as instituições devem ir além das respostas assistencialistas e apostar em soluções capazes de transformar concretamente a vida das pessoas.

"Precisamos de decisões que não se limitem a gerir problemas, mas que ajudem a abrir caminhos novos capazes de mudar vidas", afirmou.

Marcos Pinto considerou igualmente necessário que as organizações sociais estejam dispostas a inovar, mesmo sabendo que "fazer diferente implica riscos" e que a mudança pode gerar críticas.

"A verdadeira mudança é aquela que se sente na pele e transforma a vida concreta das pessoas", afirmou, acrescentando que esse processo "exige trabalho, exige confiança e exige acreditar".

O padre defendeu ainda uma visão "menos assistencialista e mais autónoma" para o sector social, dirigindo uma palavra às entidades públicas. "A Casa de São José, as organizações da Economia Social aqui presentes, precisam do vosso apoio institucional e sabemos que podemos contar com ele", afirmou.

Na sua intervenção, Marcos Pinto destacou também o papel da Igreja na resposta aos problemas sociais, evocando a mensagem do Evangelho de São João: "Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros".

Perante um contexto marcado por "crises, conflitos, guerras e outras tantas formas de sofrimento", defendeu a necessidade de instituições "sólidas, unidas e corajosas", capazes de transformar a proximidade em respostas concretas.

O responsável destacou ainda a parceria entre a Casa São José e a Câmara Municipal de Câmara de Lobos, considerando que o trabalho conjunto permite "oferecerem diferentes respostas para o bem comum".

"Mais do que sermos um sector social, podemos e devemos ser um sector que melhora a vida de todos aqueles a quem tocamos", afirmou no final.

Para Marcos Pinto, o caminho passa por "fazer mais", "fazer diferente" e não ter medo dos riscos associados à mudança. "Em suma, exige fé", concluiu.