Portugal vai contribuir com 75 ME para projeto europeu sobre oceanos
O primeiro-ministro português afirmou hoje que Portugal vai contribuir com 75 milhões de euros para o projeto europeu destinado a reforçar a proteção dos oceanos, a Aliança "Ocean Eye", entre doações financeiras e em espécie.
Luís Montenegro discursou hoje no lançamento da Aliança Ocean Eye, um novo projeto europeu destinado a reforçar a observação do oceano e a melhorar o acesso a dados marinhos essenciais para a ciência, a economia e a proteção ambiental, presidido pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e pelo primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney.
O primeiro-ministro português cumpre hoje em Nova Iorque o segundo de três dias de uma visita oficial aos Estados Unidos para participar na 81.ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU).
"A aliança internacional que formalizamos hoje vai ser essencial para assegurar que a observação dos oceanos é sustentada por um quadro de governação adequado e é financeiramente sustentável", afirmou o chefe do Governo português.
Agradecendo a iniciativa da presidente da Comissão Europeia e do primeiro-ministro do Canadá, Montenegro assegurou que Portugal vai "fazer a sua parte, com contribuições financeiras e em espécie" para apoiar a observação dos oceanos.
"O conjunto dos nossos donativos rondará os 75 milhões de euros", disse.
Montenegro detalhou que, para lá dos contributos financeiros diretos, Portugal irá continuar "a investir substancialmente nos laboratórios de Estado", de modo a que tenham os equipamentos necessários para participar nesta aliança internacional.
O primeiro-ministro comprometeu-se também a prosseguir as suas contribuições financeiras para a EUMETSAT (Organização Europeia para a Exploração de Satélites Meteorológicos), uma organização intergovernamental europeia focada na monitorização do tempo, clima e ambiente a partir do espaço.
Finalmente, destacou o contributo que Portugal poderá dar a partir da área da Defesa.
"A Marinha portuguesa está a desenvolver novas capacidades na vigilância dos oceanos e na pesquisa oceanográfica, que incluirão a entrada em serviço, em 2027, de um navio desenhado para servir como Plataforma Naval Multifuncional, capaz de dar apoio naval a futuras atividades desta aliança", disse, referindo-se ao projeto de navio polivalente NRP D. João II.
Depois de se ter encontrado com António Guterres e ter participado neste evento paralelo da Assembleia Geral da ONU, Montenegro terá ainda hoje vários encontros bilaterais, incluindo com os Presidentes da República de Angola, João Lourenço, e de Timor-Leste, José Ramos Horta, e intervirá na iniciativa promovida pelo secretário-geral da ONU sobre Ação Climática e Transição Justa, conhecida como Cimeira do Clima.
Na quinta-feira, último dia da deslocação do chefe do Governo PSD/CDS-PP, Montenegro discursará na sessão de alto nível da 81.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas.
Este debate da ONU acontece a poucos meses de o país voltar a sentar-se, a partir de 1 de janeiro do próximo ano, como membro não-permanente do Conselho de Segurança da ONU no biénio 2027-2028, para o qual foi eleito com a maior votação de sempre numa candidatura portuguesa àquele órgão (e, pela primeira vez, à primeira volta).
A representação de Portugal no debate geral anual nas Nações Unidas tem alternado entre Presidente da República e primeiro-ministro.
Em 2016, 2018, 2019, 2021, 2023 e 2025 foi o anterior chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, a deslocar-se a Nova Iorque, e em 2017, 2020 e 2022 a intervenção perante a Assembleia Geral coube ao anterior primeiro-ministro, António Costa, sendo esta a segunda participação de Luís Montenegro, que se estreou em 2024.