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Madeira: uma plataforma para testar o oceano do futuro

A poucos minutos da costa da Madeira, o fundo do mar desce rapidamente para grandes profundidades. Esta realidade geográfica pode tornar-se uma vantagem económica, científica e tecnológica para a Região. Enquanto outros territórios precisam de navegar muitas horas — ou mesmo dias — para testar equipamentos em mar profundo, a Madeira tem o Atlântico profundo praticamente à porta.

É aqui que pode nascer uma nova ambição regional: posicionar a Madeira como plataforma europeia para testar tecnologias que permitam conhecer, proteger e utilizar melhor o oceano.

O mar do futuro será cada vez mais tecnológico. Veículos autónomos, robôs submarinos, sensores que medem correntes, temperatura e qualidade da água, sistemas de comunicação e ferramentas de monitorização ambiental terão um papel crescente na segurança marítima, na proteção das pescas, dos ecossistemas e dos cabos submarinos, nas energias renováveis offshore e no estudo das alterações climáticas.

Mas uma tecnologia não se prova apenas num laboratório. Antes de chegar ao mercado, tem de enfrentar o oceano real: ondas, correntes, profundidade, ruído, limitações de comunicação e exigências de navegação. É aí que um protótipo se transforma numa solução em que empresas e autoridades podem confiar.

A Madeira reúne condições excecionais para esse trabalho: águas profundas junto à costa, relevo submarino diversificado, mar aberto e uma posição estratégica no Atlântico. Contudo, a vantagem não está apenas no lugar. Está também na capacidade de operar no mar com competência, segurança e continuidade.

O investimento do PRR em tecnologias marinhas foi decisivo. Plataformas autónomas, sensores e sistemas de observação só criam valor quando existem técnicos, pilotos, investigadores e equipas capazes de os preparar, operar, manter e transformar dados em conhecimento útil.

A recente campanha da “Nortek Netherlands” com o Observatório Oceânico da Madeira e a ARDITI demonstra essa capacidade. A empresa testou, no mar madeirense, um equipamento para medir correntes oceânicas instalado no DriX H-8, um veículo autónomo de superfície. A campanha incluiu calibração, testes de velocidade e de diferentes configurações, bem como avaliação da qualidade dos dados. A equipa do OOM/ARDITI concluiu a missão e entregou os resultados à empresa.

Este exemplo mostra que a Madeira pode ser mais do que utilizadora de tecnologia desenvolvida noutros países. Pode ser o lugar onde equipamentos são testados, aperfeiçoados e validados antes de seguirem para mercados internacionais.

A futura Zona Livre Tecnológica Mar de Magalhães pode dar escala a esta oportunidade. Com regras claras, segurança, apoio técnico, áreas de teste e ensaio e acesso a plataformas, embarcações e dados oceanográficos, a Madeira poderá atrair empresas e centros de investigação que precisem de testar tecnologia no Atlântico.

Isso significa mais parcerias, serviços especializados, formação avançada e emprego qualificado. A Madeira pode continuar a ser um destino turístico único, mas pode ser também uma Região de conhecimento e inovação: um lugar onde se testa o futuro do oceano.