Putin apela ao voto para contribuir para "vitória da Rússia"
O Presidente russo, Vladimir Putin, apelou hoje à participação nas eleições legislativas que começam na sexta-feira, apresentando o voto como uma contribuição para "a vitória da Rússia" e uma resposta aos que procuram "enfraquecer" o país.
"A participação nas eleições é a nossa contribuição conjunta para a vitória da Rússia. Esta será a nossa resposta conjunta àqueles que querem enfraquecer a Rússia, conter o seu desenvolvimento e privar-nos da soberania e do direito de escolher, de forma independente, o nosso destino", disse Putin num pronunciamento televisivo.
O chefe de Estado russo, que participa diretamente na campanha do partido Rússia Unida pela primeira vez desde 2007, associou a votação à guerra na Ucrânia, que Moscovo continua a designar oficialmente como "operação militar especial".
"A nossa escolha e a nossa vontade demonstrarão, mais uma vez, que por detrás dos nossos soldados existem milhões de pessoas; que somos um povo unido por valores comuns, pela memória histórica e pelo amor à pátria", afirmou.
Putin acrescentou que o voto deverá demonstrar que "ninguém" poderá dividir ou intimidar os russos, nem "minar" o Estado e o sistema político do país.
O Presidente mostrou-se ainda convicto de que serão eleitos os candidatos "mais íntegros, competentes e patriotas da Rússia", destacando a presença de veteranos da guerra entre os candidatos às eleições.
As eleições, que decorrem entre sexta-feira e domingo, vão escolher os 450 deputados da Duma, a câmara baixa do Parlamento russo, para mandatos de cinco anos; metade é eleita através de listas partidárias nacionais e os restantes 225 deputados em círculos uninominais.
Esta será a primeira eleição legislativa realizada desde o início da invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022, e também a primeira em que Moscovo inclui habitantes das quatro regiões ucranianas cuja anexação proclamou nesse mesmo ano.
Putin salientou que a Rússia mantém o calendário eleitoral apesar da guerra, numa referência indireta à Ucrânia, onde as eleições presidenciais não se realizaram desde que vigora a lei marcial.
"Sabemos porque é que a Rússia luta e qual é o dever de cada um dos seus cidadãos", declarou o Presidente, reeleito em 2024.
O Rússia Unida domina atualmente a Duma e procura conservar pelo menos 300 dos 450 lugares, número que lhe permite manter a maioria de dois terços necessária para aprovar alterações constitucionais sem depender de outras forças políticas.
O sistema político russo é fortemente controlado pelas autoridades e a maior parte das forças representadas na Duma apoia a guerra e acompanha o Rússia Unida nas principais votações.
O partido liberal Yabloko, a única formação registada que se opõe abertamente à guerra, foi impedido pelo Supremo Tribunal de concorrer através de uma lista nacional, embora alguns dos seus candidatos participem em círculos uninominais.
Perante as dúvidas sobre a transparência do processo eleitoral, o líder do Rússia Unida, Dmitri Medvedev, afirmou que o partido não pretende vencer a qualquer custo e "está interessado numa vitória limpa".