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Madeira

PAN Madeira quer levar propostas sobre governação climática ao plano europeu

Mónica Freitas diz que encontro realizado hoje no Funchal pretende aproximar política, ciência e sociedade civil e produzir uma medida concreta que possa chegar às instâncias europeias

Encontro foi promovido pelo PAN Madeira, em parceria com o centro de investigação VALORIZA. 
Encontro foi promovido pelo PAN Madeira, em parceria com o centro de investigação VALORIZA. , Foto ML

A iniciativa organizada em parceria com o centro de investigação VALORIZA, da Universidade Politécnica de Portalegre, terá continuidade nos Açores, na ilha Terceira, e, posteriormente, deverá chegar a Cabo Verde, que também esteve representado na sessão de hoje.

O PAN Madeira pretende que o encontro ‘Da Acção Local ao Impacto Global: Governação Climática nos Territórios Insulares’, que decorre esta quarta-feira no Colégio dos Jesuítas, no Funchal, vá além do debate e resulte numa proposta concreta que possa ser levada ao plano europeu.

A intenção foi assumida por Mónica Freitas, coordenadora do PAN Madeira, à margem da iniciativa organizada em parceria com o VALORIZA – Centro de Investigação para a Valorização de Recursos Endógenos, da Universidade Politécnica de Portalegre, e que reúne ao longo do dia representantes políticos, investigadores e organizações da sociedade civil.

Segundo Mónica Freitas, um dos objectivos passa por trazer para a sociedade civil os contributos recolhidos nas Jornadas Atlânticas da Macaronésia, juntando ao debate político o conhecimento produzido pela ciência e investigação e a experiência das organizações que trabalham no terreno em matérias relacionadas com a acção climática.

"Foi trazermos aqui para cima da mesa os desafios da governação climática nos territórios insulares", explicou, salientando as especificidades da Madeira e dos Açores e a importância da troca de experiências entre os diferentes arquipélagos.

A iniciativa não ficará, aliás, circunscrita à Madeira. A intenção é fazer circular os contributos entre a Região e os Açores, estando prevista para a próxima semana a continuação do debate na ilha Terceira. Mónica Freitas revelou ainda a intenção de prolongar posteriormente a iniciativa a Cabo Verde.

Para a coordenadora do PAN Madeira, esta cooperação poderá ajudar a influenciar a definição de políticas públicas, nomeadamente no sentido de conferir maior prioridade à acção climática nos próximos orçamentos e nos planos governativos.

Aos jornalistas, Mónica Freitas destacou ainda que o encontro constitui uma forma de o partido continuar a intervir politicamente apesar de já não ter representação na Assembleia Legislativa da Madeira. "Continuamos a ter um forte impacto" e a encontrar "formas de gerar influência", afirmou, apontando a realização do próprio evento como exemplo.

A responsável salientou a presença de deputados e representantes de partidos com assento parlamentar, de oradores internacionais e de organizações da sociedade civil. Entre as participações neste encontro está Carolina Silva, coordenadora de Clima, Energia e Mobilidade da associação ZERO, entrevistada pelo DIÁRIO esta semana. 

No final dos trabalhos, o PAN pretende que dos diferentes contributos resulte "uma medida chave" que possa ser levada também ao plano europeu, através da ligação ao Pacto Climático Europeu. "Não é um evento que se fica apenas pela conversa, pelo debate e pela reflexão", garantiu Mónica Freitas, defendendo que a iniciativa deverá produzir resultados práticos.

Vulnerabilidade dos territórios insulares destacada por Inês Sousa Real

Em jeito de 'rentrée' política, está na Madeira, a participar neste encontro, a porta-voz do Pessoas-Animais-Natureza (PAN). Aos jornalistas, Inês Sousa Real destacou a importância de aproximar as decisões políticas do conhecimento científico, argumentando que os impactos das alterações climáticas devem conduzir também a mudanças nas políticas públicas.

Sousa Real salientou as características particulares dos territórios insulares e defendeu que estas regiões necessitam de um olhar específico ao nível do investimento, tendo em conta áreas como a habitação, turismo, património, economia azul e economia verde.

A dirigente nacional do PAN considerou, ainda, necessário encontrar formas de transformar as vulnerabilidades associadas à insularidade em oportunidades para um desenvolvimento mais sustentável, apontando também o potencial de criação de emprego ligado às economias do mar e verde.