Albuquerque afasta "desgraças" na viticultura e minimiza pressão imobiliária no Estreito
A tradicional apanha da uva que assinala a Festa das Vindimas teve, este ano, um cenário diferente. O habitual terreno agrícola deu lugar a um estaleiro onde nascerá um novo empreendimento habitacional privado, um reflexo visível da crescente pressão imobiliária sobre os solos vitícolas da Região Autónoma.
Confrontado pelos jornalistas com esta realidade e com a perda de espaço para as vinhas, o presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, recusou cenários alarmistas.
Para Miguel Albuquerque, o avanço do mercado imobiliário não dita o fim do sector, mas sim uma transformação estrutural.
"Todos os anos, durante os últimos anos anunciavam sempre as desgraças para a viticultura. Essas desgraças nunca têm a acontecido", vincou o governante, sublinhando que o abandono da terra por produtores mais antigos faz parte de uma mudança geracional necessária.
"O desafio é sempre o mesmo. Você não vai ter uma agricultura como antigamente, mudar aquela agricultura de escravo", reiterou, defendendo que a sustentabilidade da atividade depende exclusivamente do seu retorno financeiro.
A agricultura hoje tem que ser rentável. Deve ser rentável no quadro daquilo que são os rendimentos que são devidos aos agricultores. Ninguém vai produzir nada a produzir a vinha se não tiver resultados Miguel Albuquerque
De acordo com o chefe do executivo madeirense, desde que haja retorno financeiro, "as pessoas continuam a apostar na agricultura".
Produção atinge 2.805 toneladas
Apesar das inquietações sobre a redução de área cultivável, a intervenção de Albuquerque centrou-se no sucesso quantitativo da atual campanha vitícola, cujos números provam a resiliência do sector.
O líder madeirense revelou dados optimistas recolhidos junto da Secretaria Regional da Agricultura.
"Este ano, segundo me informou aqui o secretário, nós já estamos atingimos a produção já do ano passado, nesta altura 2.805 toneladas, o que é bom”, apontou.
O governante sustentou ainda que a produtividade e a valorização das castas de qualidade na Madeira continuam a crescer face a anos anteriores, sustentando a vitalidade económica do sector agrícola regional.
"A banana continua de facto a render cerca de 22 milhões de dias e o vinho continua também nesta senda portanto continua a ser uma atividade rentável”, reiterou o presidente do Governo Regional.
A Festa das Vindimas decorre ao longo deste sábado no Estreito, incluindo uma demonstração de vindimas, o cortejo etnográfico, a pisa e repisa no lagar e um concurso do vinho 'Quem é o mais rápido'.
O programa prossegue durante a tarde e noite com animação cultural e musical, estando previsto, entre outros momentos, o concerto de José Malhoa, às 22h30.