ADN Madeira diz que venda de casas por estrangeiros pode aliviar pressão na habitação
O ADN Madeira considera que a eventual colocação de mais imóveis no mercado por proprietários estrangeiros poderá contribuir para aliviar a pressão sobre a habitação na Região, mas alerta que uma política de habitação não pode depender da instabilidade internacional para garantir uma moderação dos preços.
A posição surge depois de a RTP Madeira ter noticiado que alguns proprietários estrangeiros estarão a abandonar a Região e a colocar imóveis à venda, apontando a instabilidade geopolítica como um dos fatores associados a este movimento.
O partido sublinha, contudo, que ainda não é conhecida a dimensão deste fenómeno. Para o ADN Madeira, caso estas vendas resultem num aumento efectivo da oferta e numa redução ou moderação dos preços, poderão contribuir para um maior equilíbrio do mercado imobiliário regional.
Os dados oficiais, refere o partido, mostram que esse reequilíbrio ainda não aconteceu.
No primeiro trimestre de 2026 foram transacionadas 665 habitações na Madeira, menos 25,6% do que no mesmo período do ano anterior. Apesar da redução do número de transacções, o preço mediano das habitações atingiu os 2.863 euros por metro quadrado, representando uma subida homóloga de 13,7%.
Para o ADN Madeira, estes números demonstram que, apesar de se venderem menos casas, os preços continuam a aumentar.
O partido destaca ainda a diferença entre os valores praticados nas aquisições por compradores com domicílio fiscal no estrangeiro e os compradores com domicílio fiscal em território nacional.
No mesmo período, as habitações adquiridas por compradores com domicílio fiscal no estrangeiro registaram um preço mediano de 3.295 euros por metro quadrado, enquanto nas aquisições realizadas por compradores domiciliados fiscalmente em território nacional o valor foi de 2.810 euros por metro quadrado.
O ADN Madeira ressalva que o domicílio fiscal não corresponde necessariamente à nacionalidade dos compradores, mas considera que os dados revelam uma maior concentração da procura externa nos segmentos mais elevados do mercado.
Uma maior entrada de imóveis no mercado poderá aumentar as opções disponíveis, reforçar a capacidade negocial dos compradores e levar alguns proprietários a rever as suas expectativas de preço, defende o partido.
No entanto, o ADN Madeira alerta que não existe qualquer garantia de que este cenário se concretize, uma vez que os imóveis poderão continuar inacessíveis à maioria dos residentes ou apenas mudar de proprietário dentro do mesmo mercado internacional.
“Uma correção gradual do mercado não é necessariamente uma má notícia. Má notícia é trabalhar na Madeira e não conseguir viver na Madeira”, afirma o partido.
O ADN Madeira defende, por isso, que o Governo Regional não deve depender de fatores externos para conseguir uma moderação dos preços que, considera, a política regional de habitação ainda não conseguiu assegurar.
A pressão sobre o mercado de habitação faz-se sentir também no arrendamento.
Segundo os dados citados pelo ADN Madeira, no primeiro trimestre deste ano, a renda mediana dos 481 novos contratos celebrados na Região atingiu os 11,97 euros por metro quadrado, mais 16% do que no mesmo período do ano anterior.
Ao mesmo tempo, o número de novos contratos diminuiu 8,6%.
O partido sublinha que a sua posição não representa uma oposição aos cidadãos estrangeiros ou ao investimento externo, lembrando que, em 2025, residiam na Madeira 19.371 cidadãos de nacionalidade estrangeira, mais 10,1% do que no ano anterior.
Segundo o ADN Madeira, esta população tem contribuído para compensar o saldo natural negativo e para reforçar a população em idade ativa da Região.
O partido considera, por isso, errado confundir os proprietários que decidem vender imóveis com a população estrangeira que vive e trabalha na Madeira.
Como proposta, o ADN Madeira defende um acompanhamento permanente da evolução dos preços, rendas, transações, imóveis disponíveis, procura externa e necessidades habitacionais em cada concelho.
Em paralelo, considera necessário reforçar políticas capazes de aumentar a oferta de habitação acessível e permanente.
“A Madeira deve continuar aberta a quem queira cá viver, trabalhar e investir”, defende o partido, sublinhando que o objectivo não deverá ser provocar uma queda desordenada do mercado imobiliário, mas recuperar o equilíbrio entre investimento, oferta, preços e rendimentos.
Para o ADN Madeira, “governar a habitação não é esperar que uma crise internacional faça baixar os preços”, mas criar condições para que quem vive e trabalha na Região consiga continuar a viver na Madeira.