DNOTICIAS.PT
Madeira

JAD Madeira alerta para dificuldades dos jovens em comprar ou arrendar casa

None

O presidente do JAD Madeira, Gonçalo Margarido, alerta para as dificuldades enfrentadas pelos jovens na Madeira para conseguir uma habitação e construir a sua vida na Região, considerando que os baixos rendimentos e os elevados preços do imobiliário estão a contribuir para a saída de muitos jovens para o estrangeiro.

Segundo Gonçalo Margarido, muitos estudantes madeirenses pretendem permanecer na ilha depois de concluírem os estudos e alcançar aí o seu sucesso profissional. No entanto, a dificuldade em encontrar oportunidades de emprego e obter uma remuneração considerada digna acaba por limitar essa possibilidade, levando alguns a procurar melhores condições de vida fora da Madeira.

O responsável cita dados da Direcção Regional de Estatística da Madeira (DREM), segundo os quais a avaliação bancária mediana das habitações na Região atingiu 2.598 euros por metro quadrado em maio deste ano.

Face a estes valores, e tendo em conta um salário médio bruto de 1.543 euros mensais, Gonçalo Margarido considera que a aquisição de uma casa se torna particularmente difícil para um jovem no início da vida profissional.

Como exemplo, aponta um trabalhador com um rendimento líquido mensal de 1.400 euros. Se este conseguisse poupar 30% do salário, ou seja, 420 euros por mês, precisaria de muitos anos para reunir o montante necessário para comprar uma habitação.

De acordo com os valores apresentados pelo JAD Madeira, uma casa com 80 a 100 metros quadrados poderia representar um investimento entre cerca de 208 mil e 258 mil euros.

Perante estas dificuldades, os jovens acabam frequentemente por recorrer ao mercado de arrendamento. Também neste caso, Gonçalo Margarido considera que os valores praticados são desproporcionais face aos rendimentos disponíveis.

No Funchal, segundo os valores apontados pelo presidente do JAD Madeira, um T0 pode atingir entre 900 e 1.000 euros mensais, enquanto um T1 pode chegar aos 1.100-1.300 euros.

Para Gonçalo Margarido, esta realidade ajuda a explicar por que razão muitos jovens permanecem em casa dos pais durante os 20 e os 30 anos, adiando a saída de casa e a construção de um projeto de vida autónomo.

Perante este cenário, o presidente do JAD Madeira apela às entidades competentes para que seja feita uma gestão mais criteriosa dos recursos públicos e defende um maior investimento na valorização regional.

Gonçalo Margarido questiona, em particular, a prioridade atribuída a projetos como o novo campo de golfe da Ponta do Pargo e o novo casino, defendendo que deve ser avaliado se estes investimentos representam, efetivamente, benefícios para a população e, sobretudo, para os jovens.

“Utilizem os recursos disponíveis para incentivar os jovens a permanecer na Madeira”, apela o responsável, defendendo a criação de melhores oportunidades de emprego, salários mais elevados e condições mais favoráveis para a aquisição de habitação.

Para o JAD Madeira, a permanência dos jovens na Região é fundamental para garantir a sustentabilidade económica e o desenvolvimento futuro da ilha.

“É necessário criar condições para que os jovens possam construir o seu futuro cá, na Madeira”, defende Gonçalo Margarido.