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Madeira

Vindima depara-se com falta de mão-de-obra

Produtores enfrentam dificuldades para encontrar trabalhadores para a vindima. Jovens surgem como alternativa e aproveitam a época para ganhar algum dinheiro

João Figueira aponta a dificuldade em contrar mão-de-obra para a vindima. 
João Figueira aponta a dificuldade em contrar mão-de-obra para a vindima. , Foto Hélder Santos/ASPRESS

A falta de mão-de-obra continua a ser um dos principais desafios para os produtores de uva da Madeira. No Estreito de Câmara de Lobos, João Figueira, de 57 anos, prepara-se para apanhar cerca de 20 mil quilos de uva, mas admite que encontrar pessoas disponíveis para trabalhar na vindima é cada vez mais difícil.

“A mão-de-obra é difícil, é muito difícil arranjar pessoal para trabalhar”, afirma o produtor, que este ano conseguiu reunir cerca de dez pessoas para o ajudar na apanha. Entre eles estão jovens que, estando de férias escolares e a preparar a entrada na universidade, encontram na vindima uma oportunidade para ganhar algum dinheiro. Com a equipa reunida, João Figueira acredita conseguir apanhar praticamente toda a produção esta semana.

Apesar das dificuldades com a mão-de-obra, o produtor faz um balanço positivo da campanha. “Este ano vai ser melhor que o ano passado”, afirma, considerando que as uvas estão “bonitas” e em bom estado fitossanitário. No ano passado retirou cerca de 20 mil quilos e espera atingir pelo menos a mesma quantidade este ano.

A dificuldade em encontrar trabalhadores junta-se, contudo, aos custos da produção. João Figueira considera que “já não compensa muito” produzir uva quando é necessário pagar todos os trabalhos, defendendo que os apoios públicos são insuficientes. “Os apoios são poucos”, lamenta.

O produtor considera ainda que as casas de vinho deveriam pagar mais pela uva. Embora se mostre satisfeito com o comprador a quem entrega a produção, entende que uma melhor remuneração é necessária para garantir matéria-prima no futuro. “Eles deviam pagar mais qualquer coisa, para qualquer dia eles terem vinho, senão não vão ter vinho para fazerem o seu negócio”, afirma.

A continuidade da actividade é também uma preocupação. João Figueira, que trabalha na vinha desde jovem, seguindo o trabalho iniciado pelo pai, admite que não tem quem dê continuidade à exploração. “Quando eu não puder, não vou fazer”, afirma, reconhecendo que “já não tem mais ninguém para continuar”.

Aproveitar para ganhar algum dinheiro nas férias

Entre os trabalhadores que ajudam a colmatar a falta de mão-de-obra estão Nuno Mendonça e Luís Fernando, ambos com 18 anos. Nuno está a participar pela primeira vez numa vindima, embora tenha contacto com o trabalho agrícola desde criança, através do avô. Foi um amigo que o convidou para a experiência, que aproveita também para ganhar algum dinheiro durante as férias.

Luís Fernando, por seu lado, já vai na quarta ou quinta vindima e diz que o trabalho vem de família, tendo começado desde pequeno a trabalhar na fazenda com o pai. Os dois jovens que se prepararam para iniciar o curso de Engenharia Informática na Universidade da Madeira vão permanecer cerca de duas semanas na vindima, cumprindo horários que começam por volta das 8 horas e terminam às 18 horas, com pausas para refeições.

Apesar do esforço físico, Luís Fernando considera que a experiência é positiva e divertida, sobretudo quando os jovens trabalham acompanhados pelos amigos. Ainda assim, reconhece que a presença de jovens nas vindimas “é pouco comum” e que muitos dos que experimentam acabam por não regressar. Aos dois jovens juntaram-se outros três amigos, a maioria repetentes nestas andanças.